Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.2/710
Título: Stress e burnout na equipa multidisciplinar cirúrgica
Autor: Rodrigues, Maria do Céu Assis
Orientador: Jesuíno, Correia
Palavras-chave: Sociologia da saúde
Comunicação em saúde
Cirurgia
Bloco operatório
Relações interpessoais
Conflito
Stress
Data de Defesa: 2008
Resumo: Resumo - Este trabalho de Investigação surgiu no âmbito da Dissertação de Mestrado em Comunicação em Saúde, da Universidade Aberta. O ponto de partida para esta investigação consistiu em Conhecer quais são os Factores Indutores de Stresse para a Equipa Multidisciplinar Cirúrgica, no Bloco Operatório do Hospital Pulido Valente E.P.E.. De acordo com vários autores que defendem que as profissões de ajuda, onde se inserem os profissionais de saúde, são altamente susceptíveis à síndrome de exaustão, o denominado Burnout, surgiram os seguintes objectivos de investigação: Identificar os factores indutores de stresse para a equipa multidisciplinar; Identificar as estratégias de enfrentamento utilizadas pela equipa; Sabendo que o Bloco Operatório é um local altamente despersonalizante, que confere aos seus utilizadores diários stresse continuado, não só pela envolvente física, como pelas situações críticas que aí acontecem, foi interessante saber como os profissionais as enfrentam na sua actividade. Assim a questão de partida para este estudo é a seguinte: Quais são os factores indutores de stresse e estratégias de (coping) enfrentamento utilizadas pela equipa multidisciplinar, no bloco operatório do Hospital Pulido Valente E.P.E.? Metodologicamente trata-se de um estudo misto, quantitativo e qualitativo, descritivo e exploratório. A técnica de amostragem foi a não probabilística e intencional ou de conveniência, onde numa primeira parte todos os profissionais utilizadores do bloco operatório responderam ao questionário MBI. Numa segunda parte foram realizadas trinta (30) entrevistas não estruturadas, aos utilizadores dos diferentes grupos profissionais onde se questionava a importância do Bem-estar, a Identificação dos Factores Indutores de Stresse e as Estratégias de Enfrentamento utilizadas. Numa terceira fase, aos mesmos entrevistados, foi pedido que relembrassem uma situação crítica e/ou stressante, que tivessem vivido, onde descrevessem quais os factores de stresse existentes e quais as estratégias de enfrentamento utilizadas. Para o tratamento estatístico de dados do teste psicométrico MBI foi utilizado o SPSS 14. Na análise das entrevistas foi utilizado o processo de categorização e análise de conteúdo. Finalmente para a análise dos incidentes críticos foi feita análise de conteúdo e tratamento estatístico com o programa Excel 2003. Os princípios da beneficência e anonimato foram integralmente respeitados na investigação, nomeadamente durante o processo de recolha de dados. Após análise e tratamento dos dados obtidos foram várias as conclusões emergentes neste estudo. Observa-se na análise de dados obtidos a partir da escala MBI que a realização profissional surge com o seu maior valor 33 para os grupos de ambos os sexos da faixa etária dos 18–29. Nesta faixa etária 38% da amostra, onde 24% pertence ao sexo feminino e 14% ao sexo masculino, é mantida a tendência masculina para a despersonalização com um valor médio de 6.6. Verificam-se ainda altos valores de exaustão no grupo de internos de especialidade, com inversão de tendência no género feminino para a despersonalização. Na análise das entrevistas observa-se uma abordagem da importância de bem-estar pela negativa, ou seja, pela sua ausência no dia a dia. Os factores indutores de stresse que sobressaíram dizem respeito às condições e características de trabalho e relações interpessoais. As subcategorias predominantes são a sobrecarga que afecta prioritariamente os enfermeiros e internos e os conflitos e contágio referidos por todos os profissionais. As estratégias de enfrentamento mais utilizadas são o autocontrole como estratégia individual e cooperação e suporte social como estratégias colectivas. Quanto aos incidentes críticos pode observar-se que a sobrecarga, as relações interdisciplinares e os recursos são os factores indutores de stresse a que os profissionais se mostram mais sensíveis. O autocontrole continua a ser a estratégia individual mais utilizada e nas colectivas surge a clarificação, a desvalorização e por fim a cooperação. Em suma, pode aferir-se, que os profissionais estão despertos para a temática embora por vezes não mobilizem adequadamente os recursos que tem ao dispor para enfrentar o stresse profissional, contribuindo para um maior indice de exaustão. O trabalho interdisciplinar como o desenvolvido pelos técnicos de saúde em bloco operatório onde o contágio de stresse prolifera e a estratégia colectiva de evitamento tende a dominar pode ser gerador de stresse colectivo, deteriorando as relações interpessoais e diminuindo a realização profissional conduzindo a situações de exaustão e despersonalização. Neste sentido urge criar recursos de suporte/apoio social que apoiem a equipa interdisciplinar, para este sector profissional. O reconhecimento social das fragilidades dos profissionais de saúde é importante para a formação de novos elementos mais vocacionada para a realidade existente nos serviços de saúde, a capacitação dos vários grupos de tecnicos de saúde em temáticas como a gestão de stresse e conflitos e ainda contribuir para a adequação ambiental dos serviços de saúde à actividade profissional aí desenvolvida
Descrição: Dissertação de Mestrado em Comunicação em Saúde apresentada à Universidade Aberta
URI: http://hdl.handle.net/10400.2/710
Aparece nas colecções:Mestrado em Comunicação em Saúde / Master's Degree in Health Communication - TMCS

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