Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.2/4380
Título: Moisés no cinema : os filmes The ten commandments e The prince of Egypt
Autor: Sales, José das Candeias
Palavras-chave: Cinema
Moisés
Memória
Egito
Data: 2015
Editora: Instituto Prometheus / Associação para Estudos Históricos Interdisciplinares
Citação: Moisés no cinema : os filmes The ten commandments e The prince of Egypt. In Colóquio Dinâmicas Históricas no Cinema, 3, Lisboa, 2015 – "Moisés [Em linha] : história e tradição : atas". Lisboa : Instituto Prometheus, 2015. 39 p.
Resumo: Mesmo que, por vezes, não o assumam de forma explícita, as grandes produções cinematográficas pretendem quase sempre atingir grandes audiências de espectadores médios e, se possível, em consequência, alcançar proventos financeiros, vulgo lucros, que compensem os investimentos efectuados pelos grandes estúdios. Muitas vezes, a «receita» para o sucesso parece passar pela escolha de temáticas a que, a priori, o grande público adira, que com a inclusão de dois ou três nomes sonantes da arte de representar no cinema e de alguns lugares mais exóticos, míticos ou imaginários transportem os espectadores para outros tempos e espaços. Esta vertente está frequentemente muito associada aos «filmes históricos» e àqueles que se centram em «grandes personagens da História». Neste particular, a figura de Moisés é um caso paradigmático. Embora de um ponto de vista estritamente histórico subsistam dúvidas quanto aos contornos da existência histórica de Moisés, a tradição e a memória encarregaram-se ao longo dos séculos de fixar, com relativa consistência, vários episódios da sua vida e da sua acção que o tornaram numa figura «atraente» para o próprio cinema. Muitos dos «factos» conhecidos da sua vida apresentam uma inquestionável «faceta cinematográfica» a que o próprio cinema não podia ficar indiferente: o contacto com a divindade através de uma sarça que ardia sem se consumir, as inusitadas e diversificadas pragas que se abatem sobre o Egipto; a coluna de fogo que assinalava a presença da entidade divina dos Hebreus; a prodigiosa passagem do mar Vemelho a pé enxuto, a escrita dos dez mandamentos pelo dedo de Deus, no cimo do Monte Sinai… temas em si mesmos muito cinematográficos que vêem o seu efeito dramático ainda mais ampliado no cinema, com o precioso auxílio dos efeitos especiais e das bandas sonoras, independentemente da ênfase colocada num ou noutro aspecto. Nesta nossa reflexão interessam-nos os filmes The Ten Commandments (222 minutos) de Cecil B. DeMille, de 1956, e The Prince of Egypt (93 minutos), de Brenda Chapman, Steve Hickner e Simon Wells, de 1998: o primeiro, um filme da Paramount Picture Corp (USA) que usa as tradicionais técnicas Technicolor e Vistovision, com um elenco de actores «tradicionais», de «carne e osso», onde sobressaem o protagonista Charlton Heston (para muitos responsável pela imagem definitiva de Moisés na cultura popular do século XX) e Yul Brynner (durante muito tempo um referente visual de faraó egípcio para a grande massa de espectadores); o segundo, também americano, que recorre à animação computorizada conjugada com as tradicionais técnicas de animação ao serviço da Dream Works Animation. De um lado, um filme «tradicional»; de outro, um desenho animado que não hesita em tomar Moisés como «um dos maiores heróis de todos os tempos». Globalmente, com maior ou menor intensidade e eventualmente diferentes propósitos, ambos os filmes têm na narrativa bíblica do livro de Êxodo o seu «guião», sendo, talvez, o trabalho de Cecil B. DeMille mais fiel ao texto-base, não obstante a completa composição fictícia da vida de Moisés entre o nascimento e a fuga para o deserto, enquanto The Prince of Egypt se afasta um pouco mais de uma interpretação literal dos textos bíblicos de referência, manifestando, aqui e além, maiores laivos de liberdade artística e histórica. O importante, não é, porém, detectar os «conflitos» entre os aspectos doutrinais do Êxodo e as narrativas cinematográficas – até porque procuram e cumprem objectivos distintos –, mas, sim, tentar descortinar os segmentos de construção de memória e tradição que convergem nas produções fílmicas, conscientes que os episódios narrados no cinema, para grandes massas, moldam a percepção dos fenómenos e das personagens históricas do passado e que essa acção se reflecte, por sua vez, em cascata, no contínuo processo de reconstrução dessa memória. O cinema é, deveras, um poderoso construtor de memória(s).
Peer review: no
URI: http://hdl.handle.net/10400.2/4380
Aparece nas colecções:História, Arqueologia e Património - Comunicações em congressos, conferências e seminários/Communications in congresses...

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