Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.2/3827
Título: A estação do neolítico antigo de Cabranosa (Sagres) : contribuição para o estudo da neolitização do Algarve
Autor: Carvalho, António Faustino
Cardoso, João Luís
Palavras-chave: Arqueologia
Escavações arqueológicas
Período neolítico
Espólio
Litoral
Algarve
Portugal
Data: 2003
Citação: Carvalho, António Faustino; Cardoso, João Luís - A estação do neolítico antigo de Cabranosa (Sagres) : contribuição para o estudo da neolitização do Algarve. In Congresso Internacional sobre Megalitismo, 2, Monsaraz, 2000 - "Origens, espaços e contextos do Megalitismo [Em linha] : actas". Editado po Victor S. Gonçalves. Lisboa : Instituto Português de Arqueologia, 2003. p. 23-43
Resumo: Este trabalho corresponde ao desenvolvimento de um outro, recentemente publicado, sobre a estação de Cabranosa. Este último, no qual se estudou de forma sistemática, o espólio arqueológico até ao presente recolhido, permitiu considerar a existência, nos primórdios do Neolitico antigo, datado na estação pelo radiocarbono no terceiro quartel do VI milénio cal BC, de uma comunidade que, sedeada no extremo sudoeste da Península Ibérica, praticava já um modo de vida de tendência sedentária, com a presença de animais domésticos (cabra e/ou ovelha). Esta constatação impunha a realização de um estudo mais desenvolvido na perspectiva da integração cultural da estação e do seu próprio significado, no contexto geográfico regional e supra-regional em que se insere. O exercício comparativo efectuado permitiu concluir que a produção cerâmica (que inclui vasos cardiais produzidos localmente) se distingue, a vários títulos, das produções homólogas do Neolítico antigo do litoral alentejano e da Andaluzia ocidental, geograficamente mais próximas, face às das fases mais tardias do Neolítico cardial da Andaluzia oriental e do País Valenciano, mais longínquas. Também ao nível dos conjuntos de pedra lascada se detectaram diferenças entre o recolhido na Cabranosa e, de modo mais geral, os das estações algarvias, face à realidade conhecida das estações do litoral alentejano, na passagem do Mesolítico para o Neolítico. Os elementos referidos afiguram-se de importância significativa na discussão dos modelos possíveis que presidiram à neolitização do litoral meridional português. No estado actual dos conhecimentos, afigura-se provável a existência simultânea de duas comunidades culturalmente distintas na referida orla litoral: uma, mesolítica, de há muito estabelecida em ecossistemas litorais, praticando uma economia de caça-pesca-recolecção; outra, já neolítica, estabelecida na faixa litoral algarvia, com uma economia já de produção (pelo menos a pastorícia e, muito provavelmente a agricultura), portadora de uma cultura material diferente. Posta nestes termos discussão, é forçoso concluir que a génese do Neolitico no litoral algarvio (de que é paradigma a estação de Cabranosa) parece ter-se ficado a dever à presença de grupos populacionais oriundos possivelmente da costa levantina da Península, os quais teriam interagido, ulteriormente, com os já sedeados na região, designadamente os que se dispersavam ao longo do litoral alentejano. Porém, como é óbvio, a definição cultural destes dois hipotéticos grupos está longe de se poder considerar satisfatória, bem como discutível se afigura, também, a cronologia do referido processo de interacção: se, em meados do VI milénio cal BC (se se considerarem os dados cronométricos de Vale Pincel ou Medo Tojeiro), ou apenas a partir do início do V milénio cal BC (a aceitar-se somente os dados do concheiro do cabeço das Amoreiras, no baixo vale do Sado). É admissível, ainda, qualquer data intermédia, visto que o concheiro das Amoreiras se situa já numa posição periférica relativamente ao possível foco de neolitização considerado, a partir do litoral algarvio. A terminar, é feita breve alusão à emergência do fenómeno megalítico regional: na estação de Cabranosa, não se conhecem menires partilhando o espaço de ocupação neolítica, situação que concorda com os escassos indicadores cronológicos que fazer corresponder, quando muito, ao Neolítico antigo evoluído as primeiras manifestações megalíticas (menires e sepulcros proto-megalíticos).
This work builds on earlier, recently published work on the site of Cabranosa. This earlier article, in which the available archaeological evidence was studied in a systematic way, permitted us to consider the existence, by the beginning of the Early Neolithic and radiocarhon dated to the third quarter of the 6th millennium BC, of a sedentary community with domestic animaIs (goat and/or sheep) in the extreme southwest of the Iberian Peninsula. This evidence stimulated a more developed study of the cultural integration of the site and its significance, in the regional and supra-regional geographic context in which it was situated. This comparative exercise allowed us to conclude that ceramic production (which includes locally produced Cardial vases) can be distinguished from the homologous products of the Early Neolithic of the Alentejo coast and eastern Andalucia, as well as the latest phases of the Cardial Neolithic of eastern Andalucia and of Valencia, further away. Furthermore, at the level of the flaked stone assemblages there were differences detected between those recovered in Cabranosa and, in general, those from others sites of the Algarve, and those sites known in the coastal Alentejo, between the Mesolithic and Neolithic. These cultural indicators contribute to our understanding of the possible factors that presided in the neolithization of the western Portuguese coast. In the present state of knowledge, it seems likely that there existed simultaneously two di stinct cultural communities in this area: one, Mesolithic, long-established in the coastal ecosystem, practicing an economy of hunting·fishing·gathering: the other, already Neolithic, established in the Algarve coast, with an economy of production (at least herding and, very likely agriculture), and a carrier of a different material culture. Placed in these terms, we must conclude that the genesis of the Neolithic in the Algarve coast (of which Cabranosa is paradigmatic) appears to have been related to the presence of populations possibly coming from the Levantine coast of the Peninsula, which were later integrated with those already based in the region, namely those which were dispersed along the Alentejo coast. Clearly, the cultural definition of these two possible groups is far from satisfactory, and the chronology of their interaction is debatable. It is unclear whether this interaction dates to the middle of the 6th millennium cal BC (if one considers the chronometric dates of Vale Pincel or Medo Tojeiro), or only from the beginning of the 5th millennium BC (if we only accept the dates of the shell-midden on the hill at Amoreiras, in the lower Sado valley). An intermediate date is even possible, given that the shell-midden of Amoreiras is already situated in a peripheral position, relative to the possible focus of Neolithization, from the Algarve coast. Finally, this article makes a brief reference to the emergence of a regional megalithic phenomenon. At the site of Cabranosa, there are no known menhirs that share its Neolithic occupational space, which is consistent with the scarce chronological evidence that the first megaliths (menhirs and proto-megalithic burials) correspond to, at the earliest, to the evolved Early Neolithic.
Peer review: yes
URI: http://hdl.handle.net/10400.2/3827
Aparece nas colecções:História, Arqueologia e Património - Comunicações em congressos, conferências e seminários/Communications in congresses...

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