Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.2/3199
Título: Comunidades humanas da Estremadura à Costa Vicentina, do Pré-Boreal ao final do Atlântico : aspectos arqueológicos, económicos e paleoambientais
Autor: Cardoso, João Luís
Palavras-chave: Paleografia
Litoral
Recursos
Geo-história
Arqueologia
Estuários
Ecossistemas
Extremadura
Atlântico
Data: 2004
Citação: Cardoso, João Luís - Comunidades humanas da Estremadura à Costa Vicentina, do pré-Boreal ao final do Atlântico : aspectos arqueológicos, económicos e paleoambientais. In Colóquio Evolução Geohistórica do Literal Português e Fenómenos Correlativos, Lisboa, 2004 - "Evolução geohistórica ... [Em linha] : geologia, história, arqueologia e climatologia : actas". Editado por António Augusto Tavares; Maria José Ferro Tavares; João Luís Cardoso. Lisboa : Universidade Aberta, 2004. ISBN 972-674-440-7. p. 305-357
Resumo: Neste trabalho apresenta-se uma síntese da ocupação humana do litoral actual da Estremadura e da costa sudoeste, desde o início do Holocénico até ao final do Atlântico, articulada com as notáveis acumulações antrópicas (cancheiros)situadas no fundo dos paleoestuários do Tejo (concheiros de Muge e de Magos) e o do Sado. No Pré-Boreal e no Boreal, o actual litoral da Estremadura era pontuado por numerosas estações, na época implantadas na parte mais recuada de antigos estuários de cursos de água que então desaguavam a vários quilómetros de distáncia, em zonas actualmente submersas. Tratar-se-ia, assim, de um sistema de assinalável mobilidade baseado sobretudo em estacionamentos de carácter sazonal. onde se praticava a recolecção, articulado em acampamentos-base, de maiores dimensões, situados no interior do território. Importa assinalar que, mesmo a várias dezenas de quilómetros do litoral de então se reconheceram verdadeiros concheiros, conservados em grutas, o que sublinha a alta mobilidade destes grupos e a existência de técnicas para a conservação dos moluscos, no decurso do seu transporte. Crê-se que a crescente utilização dos recursos aquáticos litorais e estuarinos - aliás já indiciada no final do tardiglaciário - se deva à expansão da floresta de pinheiros, responsável pela redução dos territórios de caça. Este fenómeno, associado à contínua subida do nível do mar, alagando em pouco tempo vastas áreas litorais anteriormente emersas, poderá estar na origem da simultânea rarefacção do povoamento da faixa litoral da Estremadura, compensada pela ocupação dos fundos dos estuários de então do Tejo e do Sado, no início do Atlântico. Aí se teriam verificado, por mais de mil anos, aproveitando a extraordinária reserva de recursos aquáticos, praticamente inesgotáveis, as primeiras formas de ocupação tendencialmente sedentárias de um território enquanto, no Maciço Calcário, se teriam implantado, entretanto, as primeiras comunidades neolíticas. Estudos recentes mostraram que o abandono de tais locais, no final do Atlântico, se deveu à contínua subida do nível marinho, com o consequente assoreamento das zonas mais interiores dos estuários e o dasaparecimento dos recursos aquáticos ali existentes. Na costa sudoeste, até o cabo de São Vicente, observou-se uma estratégia no povoamento análoga à do litoral estremenho: a prática sazonal do marisqueio encontra-se documentada desde o final do tardiglaciário, ocupando fundos de antigos estuários, hoje submersos. A frequência intensiva e sazonal do litoral, relacionada com a exploração especializada dos seus recursos, prosseguiu no Pré-Boreal e no Boreal, e, depois, no Atlântico. Neste período, a existência destes acampamentos sazonais junto à costa, articulava-se com ocupações mais permanentes, em zonas de ecótono, onde se encontra documentada a caça de grandes vertebrados, os mesmos que ocorrem nos concheiros do Tejo e do Sado, próprios de espaços abertos e de matas de pinheiros ou mistas. A adopção da economia de produção num sistema de caça/recolecção claramente bem adaptado às possibilidades oferecidas pelo meio fez-se lentamente, admitindo-se um período de interacção entre estas comunidades e as neolíticas que, entretanto, haviam ocupado zonas litorais menos povoadas que pode ter durado mais de 500 anos, encontrando-se tal fenómeno expressivamente representado nos con-cheiros do Sado, mais do que nos do Tejo, pelos materiais neolíticos encontrados nalguns deles.
ln this work, we present a synthesis of the human occupation of Lhe Estremadura and southwest region, from the beginning of the Holocene to late Atlantic, in connection with the remarkable occurrence of anthropogenic remains (shell deposits)on the floor of lhe two main ancient estuaries on this region, the Tagus (shell-middens of Muge and Magos) and the Sado. During the Pre-Boreal and the Boreal, one can claim that lhe present littoral of the Estremadura presented numerous settlements, located on lhe inland zones of ancient estuaries, actually submerged. Parallely, there was an occupation of lhe Calcareous Massif, whether in caves and rock-shelters. ln fact, even dozens of kilometres away from the littoral, there are some shell deposits, preserved in caves, illustrating lhe mobility of these groups and the use af techniques for preserving the molluscs during its transport. There is a general belief that the increasing use of aquatic resources already initiated during late tardiglacial period is the result of an expansion of the pinus-forested areas and the related reduction of lhe hunting grounds. This forest expansion and the continuous rise of the sea level, rapidly submerging vast areas, may be the cause of the occupation of lhe inland part of lhe Tagus and Sado estuaries, in the beginning of the Atlantic, for more than a thousand years. The immense aquatic resources of those wetlands favoured the first forms likely sedentary af human occupatian, especially on lhe region of Muge. Furthermore, these aquatic resources were complemented by hunting mammals and birds when the first Neolithic settlements occurred in lhe Calcareous Massif, nearly unoccupied until then. The ulterior abandonment of such sites during late Atlantic was due to the continuous sea level rise, and consequente sedimentation of the estuaries floor, thus leading to the disappearance of its aquatic food resources. On the southwest coast, up to Cape S. Vicente, there was an occupation sequence analogous to the previously described; seasonal collection of aquatic resources is documented since late tardiglaciaL The human presence in the littoral areas continued during the pre-Boreal and Boreal till Atlantic. As in Estremadura, in these periods the existence of seasonal sites near the shoreline was simultaneous with more permanent settlements in ecotonal areas, where large vertebrates were hunted in large spaces and in pinus and mixed woodlands, like in the Tagus and Sado valleys.The adoption of an economy of production, by former hunter-gathering communities well adapted to the existing environmental possibilities, proceed slowly, with a period of interaction of more than 500 years, represented in the shell-middens of Sado by some neolithic items found amidst the archaeological deposits.
Peer review: yes
URI: http://hdl.handle.net/10400.2/3199
ISBN: 972-674-440-7
Aparece nas colecções:História, Arqueologia e Património - Comunicações em congressos, conferências e seminários/Communications in congresses...

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