Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.2/2695
Título: Figuras do Silêncio: do inter/dito à emergência da palavra no texto medieval
Autor: Carreto, Carlos F. Clamote
Palavras-chave: Literatura francesa (séculos XII-XIII)
Cultura medieval
Dinâmicas do segredo
Imaginário
Silêncio
Retórica
Linguagem
Data: 1996
Editora: Editorial Estampa
Relatório da Série N.º: Colecção "Leituras", 2
Resumo: Falar ou escrever sobre o silêncio representa sempre um desafio. Um desafio e também um paradoxo que devemos assumir quando nos defrontamos com esta ferida que a escrita nunca cessa de deslocar e de reabrir. Ora, desde a sua infância, é justamente através da escrita do silêncio, através da outra face de si mesma, que a literatura medieval se pensa e se reflecte de forma privilegiada. Não se trata aqui do silêncio “mudo”, daquele que se instala como negação ou vazio de sentido, mas sim de um silêncio positivo, matricial e poético na plena acepção do termo: é o silêncio da espera, o silêncio que escande a linguagem e sem o qual nem a comunicação, nem o sentido seriam possíveis, o silêncio que precede uma resposta, o silêncio que traduz um não-saber, uma hesitação ou um consentimento. Ctónico, mortal e opaco, ou, pelo contrário, absolutamente luminoso e numinoso, este silêncio define-se como a presença que se inscreve na própria ausência. Silêncio e palavra in-formam-se assim mutuamente, constiuindo as duas faces indissociáveis de uma única, embora complexa, realidade, essencialmente quando nos situamos num contexto literário (o do romance arturiano em verso do século XII) que se caracteriza pela enriquecedora fusão de culturas, discursos e imaginários. Daí falarmos em figuras do silêncio. As figuras remetem, antes de mais, para uma morfologia, ou melhor, para os diversos rostos desta entidade multiforme constantemente investida pelo mito, a ideologia e o desejo que a obrigam a dissimular-se ou a retirar-se sempre que qualquer um destes discursos a tenta apreender ou aprisionar na e pela palavra, ficando então sujeita a repetidas anamorfoses perante este imenso espelho deformador que o texto medieval representa. Mas as figuras evocam também os lugares comuns da retórica sem os quais o percurso pela plasticidade dos significantes textuais e a evanescência dos significados se tornaria desconcertante. Representam finalmente as entrelinhas do discurso, os interstícios criados no interior da própria palavra: dimensão verdadeiramente simbólica veiculada simultaneamente pelo não-dito e pelo inter/dito. O traço oblíquo que cinde esta última palavra não é fortuito: significa precisamente a fractura que inexoravelmente se inscreve na linguagem, dificultando o acesso ao sentido e bloqueando temporariamente a comunicação do sujeito consigo próprio, com o outro e/ou com o mundo. Este ensaio adquire então, naturalmente, os contornos de um tríptico no qual, podemos observar, num dos lados, os caminhos para o surgimento privilegiado de um tema (Limiares) e, no outro (U-tópicas), algumas das estratégias poéticas que a ficção desenvolve para restituir à linguagem o seu poder de representação, a sua sacralidade e a sua transparência, reintegrando-a na Ordem Universal da qual emerge a “grande planície das palavras e das coisas” (utilizando a bela expressão de M. Foucault). No centro deste quadro e na origem do romance arturiano está o eterno drama de Babel (Anamorfoses). Levar os silêncios a comunicarem algo exige evidentemente, mais do que nunca, uma abordagem inter ou pluridisciplinar. Contudo, na impossibilidade de reencontrar utopicamente o mundo das correspondências perdidas, será na tentativa de fazer convergir o Real, a Linguagem e o Imaginário que este trabalho pretende explorar o universo pluridimensional do silêncio e procurar um sentido no e para o texto medieval cujo objectivo primeiro e último é o de restaurar o bom funcionamento dos signos, inicitando o leitor a “penser et antandre/ a bien dire et a bien aprandre” (Chrétien de Troyes, Érec et Énide, v.11-12).
Peer review: yes
URI: http://hdl.handle.net/10400.2/2695
ISBN: 9789723312195
Versão do Editor: http://estampa.pt/novosite/
Aparece nas colecções:Línguas, Literaturas e Culturas Estrangeiras - Livros / Books

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