Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.2/2614
Título: Estudo de caso : o uso da língua portuguesa por jovens provindos de outros países no domínio privado, público e educativo
Autor: Jesus, Maria do Céu Freitas Gomes da Silva de
Orientador: Salomão, Ricardo
Palavras-chave: Ensino de línguas
Língua portuguesa
Português língua não materna
Imigração
Política linguística
Portugal
Data de Defesa: 2012
Citação: Jesus, Maria do Céu Freitas Gomes da Silva de - Estudo de caso [Em linha] : o uso da língua portuguesa por jovens provindos de outros países no domínio privado, público e educativo. Lisboa : [s.n.], 2012. 168 p.
Resumo: A afluência de imigrantes a Portugal, nas últimas três décadas transformou radicalmente todo o tecido social português, caracterizando-se hoje pela sua heterogeneidade. Até ao início da década de 90 do século XX, os fluxos migratórios provinham essencialmente dos Países de Língua Oficial Portuguesa, com maior incidência de Cabo Verde, Brasil e Angola. É nessa década que se registam movimentos bastante significativos de imigrantes provenientes da Europa Central e Oriental, principalmente da Ucrânia, Rússia, Roménia e Moldávia, assim como da Ásia, destacando-se os naturais da China, Índia, Paquistão e das antigas repúblicas soviéticas. De acordo com a análise apresentada pelo Instituto Nacional de Estatística em Dezembro de 2006, residiam de forma legal em Portugal 329 898 cidadãos de nacionalidade estrangeira, sendo as maiores comunidades de Cabo Verde (57 349), Brasil (41 728) e Angola (28 854). A sociedade portuguesa do século XXI, distancia-se cada vez mais do conceito de monolinguismo, tal como se evidencia no Projecto Gulbenkian “Diversidade Linguística na Escola Portuguesa”, que, segundo o estudo feito, onze por cento dos alunos residentes na área da Grande Lisboa nasceram fora de Portugal e têm como línguas maternas cinquenta e oito idiomas. É urgente uma intervenção diferente no que corresponde a esta nova realidade linguística em Portugal e sobretudo no que concerne à integração do “outro”, reconhecendo e respeitando as várias línguas maternas e culturas, como também a sua preservação a fim de possibilitar o desenvolvimento íntegro e harmonioso da identidade. A heterogeneidade da actual sociedade portuguesa impõe um olhar atento para com esta nova realidade no país, sobretudo em muitas das escolas onde a par do uso da língua portuguesa outras línguas são também usadas como forma de comunicação entre os mesmos pares, situação esta perfeitamente desajustada da realidade escolar madeirense Estudo de caso: O uso da Língua Portuguesa por jovens oriundos de outros países nos domínios privado, público e educativo. 10 de inícios da década de 90 do século XX, à excepção dos alunos provenientes da Venezuela, os denominados luso-descendentes. A escola mudara, tudo se alterara, havia que tentar perceber o que estava a ocorrer, um novo Mundo “invadira” as turmas, prontas a aprender, a saber, a descobrir. Era preciso preencher o silêncio expectante. Aprender uma nova língua, a portuguesa, decorrente da obrigatoriedade implícita de tratar-se da língua oficial, obrigava a repensar o ensino, a continuamente desvendar novos caminhos possibilitadores de encontro entre a língua materna e a segunda, de reencontro com a identidade linguística e cultural que não se quer perdidas, só tornado possível na diferença. A par de uma escola que se apresentava de forma diferente, cuja intervenção teria de ser oposta à de então, uma vez que a aprendizagem do português era feita como língua segunda (L2), muitas foram e são as inquietações, um turbilhão de interrogações decorriam deste contacto constante de uma língua que se diz minha, fonte de partilha com outros jovens. O uso da língua portuguesa confinar-se-á unicamente à escola com os professores e colegas ou despoletará curiosidades, vontades, interesses, motivados por objectivos confinados ao percurso e à história humana? Muitas são as interrogações que ocorrem, muitos são também os momentos de sabedoria mútua de línguas e países a desvendar num contínuo ininterrupto e é essa constante procura que determina a busca de respostas. Entre muitas interrogações uma afigurava-se de forma latente, quiçá fonte de resposta para outras interrogações inerentes à língua portuguesa como língua segunda. A sua utilização por parte dos alunos de outras nacionalidades nos domínios privado, público e educativo engloba domínios diversos capazes de informar acerca do uso dessa mesma língua. Importa no entanto reforçar que estes alunos constituem um grupo heterogéneo sob diversos pontos de vista: etário, linguístico e cultural. Do ponto de vista linguístico a população que tem o português como língua segunda abrange alunos falantes de diferentes línguas maternas, umas mais próximas, outras mais afastadas do português, propiciando diferentes graus de transferência de conhecimentos linguísticos e de experiências comunicativas, como também em diferentes estádios de aquisição e que fora da escola o usam em maior ou menor número de contextos e com um grau de frequência desigual. Estudo de caso: O uso da Língua Portuguesa por jovens oriundos de outros países nos domínios privado, público e educativo. 11 Dispõem também de diferentes capacidades individuais para discriminar, segmentar e produzir sequências linguísticas. Já do ponto de vista cultural apresentam diferentes hábitos de aprendizagem, bem como diferentes representações e expectativas face à escola. Todos estes factores determinarão ritmos de progressão distintos no que respeita à aprendizagem do português como língua segunda. As oportunidades de aprendizagem e de uso que cada indivíduo tem ao longo da vida, determinantes no processo de aquisição, desenvolvimento e aprendizagem de uma língua, variam bastante de indivíduo para indivíduo. Os alunos podem viver num mesmo contexto no entanto razões variadíssimas determinarão diferentes oportunidades de aprendizagem e de uso. Viver-se num contexto de imersão não é suficiente para que todos tenham o mesmo grau de exposição a material linguístico rico e variado da L2. Essas oportunidades também se relacionam com a distância linguística entre língua primeira (L1) e a língua segunda, quanto mais afastadas são as duas línguas mais os falantes da L2 se refugiam na sua língua materna, assim como também se associam aos hábitos culturais da comunidade e da família.
The influx of immigrants to Portugal in the last three decades has radically transformed the entire Portuguese society, characterized nowadays by its heterogeneity. Until the beginning of the 1990s, migration came mainly from Portuguese Speaking Countries, with a higher incidence of people from Cape Verde, Brazil and Angola. It was in that decade that Portugal recorded a large number of immigrants from Central and Eastern Europe, especially from Ukraine, Russia, Romania and Moldova, as well as from Asia, highlighting China, India, Pakistan and the former Soviet republics. According to the analysis presented by the Portuguese statistics institute (Instituto Nacional de Estatística) in December 2006, there were 329,898 foreign citizens living in Portugal legally, being the largest communities the ones of Cape Verde (57,349), Brazil (41,7289 and Angola (28,854). The Portuguese society of the 21st century distances itself increasingly from the concept of monolingualism, as evidenced by the Gulbenkian Project “Diversdade Linguística na Escola Portuguesa” (Linguistic Diversity in Portuguese School), which, according to the study, eleven per cent of the students living in the Lisbon metropolitan area were born outside Portugal and they have as their mother tongues fifty-eight idioms. A different intervention is urgent according to this new linguistic reality in Portugal and as far as the integration of the “other” is concerned, recognizing and respecting the various mother tongues and cultures, as well as its preservation in order to enable the complete and harmonious development of their own identity. The heterogeneity of the current Portuguese society imposes a closer look towards this new reality in the country, especially in schools where, together with the use of Portuguese language, other languages are also used as a means of communication between the same peers. This situation is quite inadequate in Madeiran school reality of Estudo de caso: O uso da Língua Portuguesa por jovens oriundos de outros países nos domínios privado, público e educativo. 13 the early 1990s with the exception of students from Venezuela, called Portuguese descendents. School had changed, everything had changed and it was about time you tried to understand what happened, a new world “invaded” the class ready to learn, to know, to discover. It was necessary to fill the expectant silence. Learning a new language, Portuguese, due to the fact it was the official language, forced us to rethink education, continually revealing new paths which enabled the meeting between the mother tongue and the second language, reencountering the linguistic and cultural identity that we don´t want to lose, and that it is only possible within the difference. Together with a school that presented itself in a different way, whose intervention would be opposed to the one of the time, once the learning of Portuguese was made as a second language (L2), there were and still are many concerns. A flurry of questions occurred from this constant contact with another language that is also mine, source of sharing with other young people. Will the use of Portuguese language be confined only to school with teachers and classmates or will it awake curiosities, desires, interests motivated by objectives confined to the course and history of mankind? There are many questions but there are also many moments of mutual knowledge of languages and countries being revealed in an uninterrupted continuity and it is this constant demand that determines the search for answers. Among many questions one appeared to be latent, perhaps the source answer to other questions related to the Portuguese idiom as a second language. Its use by students of other nationalities in the private, public and educational areas encompasses several domains capable of providing information on the use of that language. However it is important to stress that these students are a heterogeneous group in diverse respects: age, language and culture. From the linguistic point of view people who have Portuguese as a second language also live with speakers of different mother tongues, some near, others far from Portuguese, not only providing different degrees of transfer of linguistic knowledge and communicative experiences, but also reaching different stages of acquisition. Outside school they use it in a larger or smaller number of backgrounds and with a degree of uneven frequency. Estudo de caso: O uso da Língua Portuguesa por jovens oriundos de outros países nos domínios privado, público e educativo. 14 They also have different individual abilities to discriminate, segment and produce linguistic sequences. From the cultural point of view, they have different learning habits, as well as different representations and expectations towards school. All these factors will determine different rates of progress in relation to learning Portuguese as a second language. Learning opportunities and use that each individual has lifelong are determinant in the acquisition, development and learning of a language and it varies greatly from individual to individual. Students can live in the same context, however different reasons will determine an extensive range of learning opportunities and use. Living in a context of immersion is not enough for everyone to have the same degree of exposure to rich and varied linguistic material of L2. These opportunities are also related to the linguistic distance between the first language (L1) and the second language(L2), the more distant the two languages are more second language speakers take refuge in their mother tongue, as well as they associate themselves to the cultural habits of their community and their family.
Descrição: Dissertação de Mestrado em Português Língua Não Materna apresentada à Universidade Aberta
URI: http://hdl.handle.net/10400.2/2614
Aparece nas colecções:Mestrado em Português Língua Não Materna / Master's Degree in Portuguese as a Foreign Language - TMPLNM

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