Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.2/2609
Título: Mouras, mouros e mourinhos encantados em lendas do norte e sul de Portugal
Autor: Marques, Amália
Orientador: Dias, Isabel de Barros
Palavras-chave: Literatura portuguesa
Literatura popular
Tradição oral
Conto
Lendas
Mitos
Muçulmanos
Oral traditional literature
Myth
Legend
Folktale
Enchanted moorish maiden
Moors
Moorish children
North
South
Data de Defesa: 2013
Citação: Marques, Amália - Mouras, mouros e mourinhos encantados em lendas do norte e sul de Portugal [Em linha]. Lisboa : [s.n.], 2013. 2 vol.
Resumo: Lendas, mitos e contos acompanham a humanidade desde sempre, pois encerram uma função cosmogónica e explicam fenómenos para os quais o homem comum não consegue dar explicação. Na sua migração, estas narrativas fundem-se com as singularidades das zonas por onde viajam. Sofrem as transformações que os narradores, através de um processo oral, lhes vão conferindo. Decorrente da sua origem humilde, a literatura oral tradicional foi, durante muito tempo, entendida como inferior. Em Portugal, como por toda a Europa, só com o Romantismo se assiste a um revivalismo literário destas narrativas, na medida em que contêm um apelo intrínseco às origens, enaltecendo assim o espírito patriótico. Surgem, então, vários autores que coligem lendas e contos populares portugueses. Neste âmbito, a presente dissertação, " Mouras, Mouros e Mourinhos Encantados em Lendas do Norte e Sul de Portugal", tem por base um estudo comparativo de lendas nortenhas e sulistas com a finalidade de detetar diferenças e/ou semelhanças no que concerne estas figuras encantadas, consoante as zonas em que se inserem. Com este intuito, analisamos um corpus representativo, mas limitado, pois seria impossível o estudo de um maior número de textos pela limitação que uma tese de mestrado implica. Desta investigação resulta uma categorização das várias características das mouras, mouros e mourinhos, de acordo com as suas ações, atitudes, modo como se apresentam perante o ser humano, preferência por determinados locais, manifestações em horas consideradas do “entreaberto”, entre muitas outras particularidades. Usualmente, é atribuído maior destaque às mouras, pelo que considerámos particularmente interessante estudar simultaneamente os mouros e mourinhos. Constatámos a evidência de muitas diferenças, mas igualmente algumas semelhanças. No que respeita aos mouros, salienta-se a distinção entre "mouros históricos" e "mouros míticos". Relativamente às mouras, o seu papel de encantada, mas também de sedutora ou ainda de vítima do encantamento paterno. Já os mourinhos, afiguram-se escassos a norte, mas abundantes a sul, com a peculiaridade de surgirem sempre de barrete encarnado. Numa perspetiva histórica, em que os mouros são sinónimo de muçulmanos e, portanto, infiéis, maus e inimigos dos cristãos, estes possuem um vasto repertório de hábitos que não coincidem com os das populações católicas. Como tal, despertam nestas a curiosidade e é-lhes atribuído um sem número de feitos, riquezas, poderes que em tudo se assemelham ao contacto com o sobrenatural. Ao surgirem encantados, nomeadamente as mouras e mourinhos, visto que os mouros raramente ocorrem nessa condição, acabam por encarnar a manifestação do desconhecido junto das populações, mas também a vontade do contacto com o outro mundo e a esperança de que, de algum modo, a vida se prolongue além da morte. Todavia, são muitas as situações em que aos mouros é associada a ideia do “outro” independentemente da nacionalidade que possam ter. Esta alteridade reflete a memória histórica das populações, remetendo para todos os que passaram pelas povoações e comunidades enquanto intrusos, aos quais não é reconhecida uma verdadeira identidade ou pertença a esses grupos.
Legends, folktales and myths have always walked along with mankind because they have a cosmogonic function and try to explain certain phenomenon to which the human being cannot find a suitable and understandable explanation. In their migration, these narratives tend to assume the characteristics of the places where they travel. Once they are told orally by different narrators, these legends face changes and acquire different values as well. As a result of its humble origin, oral traditional literature has been, for a long time, understood as unimportant. However, the romantic period brings along a revival of this kind of narratives. At that time, they were regarded as a way of going back to the origins praising patriotic values. The result is the gathering of many folktales by numerous and different Portuguese writers. Within this scope, our study titled “Enchanted Moorish maids, Moors and Moorish children in legends of the north and south of Portugal” focuses on a comparative study of texts, enabling the detection of any potential differences as well as similarities between the two areas of the country as far as these legends are concerned. Bearing in mind this purpose, we study a limited representative corpus, since it would be completely impossible to analyze a larger number of texts in a Master thesis. This research results in a classification of the various characteristic of the Moors, Moorish maiden and Moorish children as far as their behavior is concerned, but also how they appear in the presence of the human being as well as the time these characters choose to contact the mortals and many other peculiarities. Usually, it is given greater prominence to the Moorish maiden. Therefore, we considered very interesting to study simultaneously, the Moors and Moorish children. We acknowledged the evidence of many differences regarding these enchanted figures of the two areas of the country, but some similarities too. The duality of the historical Moors and the mythological ones is obvious. Regarding the Moorish maiden, we stress her role as an enchanted and charmed character but also the fact that she sometimes is shown as a victim of paternal enchantment. As regards the Moorish children, scarcely ever we found them in the north of Portugal. On the contrary, in the south there are many and always showing up wearing a red bonnet. From a historical point of view, in which the Moors are seen as Muslims and thus faithless and enemies of the Christians, they have different customs that do not match with those of the catholic communities. Probably, that is the reason why the populations have such a curiosity towards the Moors and assign them a vast number of deeds, richness and magical powers. The Moorish maiden and Moorish children are enchanted (the Moors seldom are) because they represent the unknown, but also the will to contact the beyond and the hope that somehow life extends after death. Nevertheless, many are the circumstances in which the Moors are connected with “the other”. This otherness reflects the historical memory of the populations, referring to all the ancient people seen as intruders but not acknowledged with a real identity or belonging to any community.
Descrição: Dissertação de Mestrado em Estudos Portugueses Multidisciplinares apresentada à Universidade Aberta
URI: http://hdl.handle.net/10400.2/2609
Aparece nas colecções:Mestrado em Estudos Portugueses Multidisciplinares / Master's Degree in Multidisciplinary Portuguese Studies - TMEPM

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