Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.2/2484
Título: Concepções ambientalistas dos professores : suas implicações em educação ambiental
Autor: Almeida, António José Correia de
Orientador: Amador, Filomena
Palavras-chave: Educação ambiental
Professores
Projetos de educação
Atitude dos professores
Conceitos
Perceção
Meio ambiente
Environrnental education
Anthropocentrism
Biocentrism
Ecocentrism
Environmental concern
Outdoor activities
Data de Defesa: 2005
Citação: Almeida, António José Correia de - Concepções ambientalistas dos professores [Em linha] : suas implicações em educação ambiental. Lisboa : [s.n.], 2005. XVIII, 567 p.
Resumo: Neste estudo identificam-se as concepções ambientalistas de docentes que se envolvem regularmente em projectos de Educação Ambiental (EA), partindo de um quadro teórico que destaca três perspectivas principais no modo de relação do ser humano com a natureza: o antropocentrismo (visão instrumental), o biocentrismo (reconhecimento do valor intrínseco dos outros seres vivos) e o ecocentrismo (atribuição de valor não instrumental a entidades holísticas, como os ecossistemas). De igual modo quisemos verificar a incidência destas mesmas perspectivas na fundamentação e objectivos dos projectos de EA que os professores implementam nas escolas. O quadro motivacional da presente investigação decorreu da possibilidade (suspeita) sugerida por vários autores de que os professores se limitam a transmitir, muitas vezes de forma impensada, uma perspectiva antropocêntrica de domínio da natureza, precisamente a responsável pela presente crise ambiental, tomando-se assim reféns do endoutrinamento dos alunos numa concepção estreita do ambientalismo. Para a verificação desta possibilidade, entrevistámos 60 professores dos diferentes ciclos de escolaridade não superior, no 10 trimestre de 2003, sobre diversos temas relacionados de directa e indirectamente com questões do ambiente e ainda sobre outros aspectos de âmbito geral sobre EA, com destaque para os factores por eles considerados relevantes para a sua adesão à causa ambiental. Simultaneamente, foi analisado o enfoque ambientalista de 120 projectos submetidos ao Instituto de Promoção Ambiental (IPAmb) em três anos lectivos (96/97, 98/99 e 99/00). Dividimos ambas as amostras em função da proveniência dos ciclos com e sem monodocência (1º subgrupo: Pré-Escolar e 1º Ciclo; 2º subgrupo: 2º e 3º Ciclos e Secundário). Embora não esperássemos diferenças significativas nas concepções dos diversos professores, admitimos como provável uma maior incidência da perspectiva antropocêntrica nos projectos propostos pelos docentes do 1º subgrupo por motivos didácticos ou pragmáticos (a defesa do ambiente por razões estritamente humanas pode ser melhor compreendida pelas crianças ou suscita mais facilmente a sua adesão). A possibilidade de os docentes licenciados em Ciências Naturais e de os associados a organizações ambientalistas possuírem uma maior literacia ecológica com reflexos numa maior incidência de concepções ecocêntricas conduziunos aos outros dois critérios adoptados na divisão da amostra dos professores entrevistados. No tratamento dos dados da entrevista utilizámos sempre que possível métodos de estatística inferencial para uma melhor avaliação das diferenças obtidas. Quisemos ainda verificar se as obras sobre EA salientam a importância de os professores confrontarem os alunos com ideias características das diferentes perspectivas ambientalistas. Nesta análise demos destaque àquelas cuja edição foi apoiada por organismos estatais e por ONG, por as considerarmos de mais fácil acesso. Os resultados evidenciaram uma maior incidência nos docentes de concepções biocêntricas (mais significativa nos do 1º subgrupo), sendo as antropocêntricas claramente minoritárias. Os do 2º subgrupo destacaram-se por uma maior incidência relativa de concepções ecocêntricas. Estas diferenças podem estar relacionadas com o tipo de formação inicial e contínua dos docentes e ainda com as vivências e características específicas dos ciclos em que leccionam. Igual tendência à dos professores do 2º subgrupo manifestaram os associados a organizações ambientalistas, o que sugere que este tipo de adesão potencia maneiras de olhar a natureza menos centradas no ser humano. Pelo contrário, os projectos tiveram um teor marcadamente antropocêntrico sem diferenças assinaláveis em termos dos subgrupos considerados. No entanto, pensamos que este tipo de incidência é conjuntural face à degradação ambiental acentuada do país nas últimas três décadas e que não obedece a qualquer intenção didáctica ou pragmática. Para a sua predisposição para as questões do ambiente os professores destacaram a importância do contacto com a natureza durante a infância e adolescência, o que obriga a repensar a importância das actividades de outdoor na própria conceptualização da EA. As publicações de EA são praticamente omissas na abordagem do tema em discussão. Perante estes resultados, pensamos que os professores se encontram em condições de abordar ideias das diferentes perspectivas ambientalistas, desde que conscientes para a importância de o fazer. Nesse sentido, apresentamos um conjunto de sugestões genéricas que visam tomar a EA um amplo espaço de reflexão acerca de várias perspectivas de conceber a relação do ser humano com a natureza.
The main aim of this study is to identify which of the three environrnental worldviews of the relationship between humans and nature is more frequent in teachers involved in environrnental education: anthropocentrism (grounded on an instrumental view), biocentrism (grounded in the recognition of the intrinsic vaIue of life) and ecocentrism (grounded in the recognition of a non-instrumental value of the ecosystems). In the sarne way, we tried to identify the incidence of these worldviews in the foundation and aims of environrnental projects. Some authors have suggested that teachers unwillingly transmit but an anthropocentric worldview of the domination of nature. This is a serious accusation, not only because ethically and professionally teachers cannot be propagandists for any specific worldview but also because that perspective is responsible for the environmental crisis of the world today. To test this possibility, 60 teachers from four cyc1es of schooling (kindergarten; l st Cycle = Primary School, 6 -10 years; 2nd Cyc1e, 10 -12; 3rd Cycle and Secondary School, 13-17) were interviewed during the 1st term of 2003 about different subjects directly and indirectly linked with environrnental issues and also other matters about environrnental education, with emphasis given to the variety of influences that teachers recognize in their lives as responsible for their concern about the environrnent. With the sarne aim, 120 environrnental projects from three academic years (96/97, 98/99 and 99/00) funded by the lnstitute for Environmental Promotion were analysed. In both cases (interviewed teachers and environrnental projects), the samples were divided into two groups according to their origin: from cycles with only one teacher (1st group -kindergarten, 1st Cycle) or cycles with several teachers specialized in different subjects (2nd group 2nd Cycle, 3rd Cycle and Secondary School). We were not expecting significant differences between the teachers' conceptions in the two groups, but accepted that in the foundation of environrnental projects designed by the teachers ofthe 1st group, and due to didactic and pragmatic motives, there would be a greater anthropocentric incidence; the association of the fight for a better environrnent with the necessity for a better quality of human life can be easier to understand by pupils in childhood and motivate them to participate with more enthusiasm in the aims of the projects. The possibility that graduates in natural sciences and members of environmental organizations have a higher leveI of ecological literacy responsible for an identification with an ecocentric worldview led us to establish the other two criteria used to divide the sample of interviewed teachers. The data from the interview was, whenever possible, analysed with inferential statistics methods to better test the significant differences. Some books about environmental education were also analysed to he1p us identify the main themes discussed and to check if the different environrnental worldviews were presento To do this task we selected preferentially those supported by state and environrnental organizations because they are normally easier to be accessed by teachers. The results showed a higher incidence of biocentric conceptions in all the teachers (more significant in those of the 1st group), while anthropocentric conceptions were in little evidence. The teachers ofthe 2nd group showed, comparative1y, more ecocentric conceptions. These differences can be explained by the mode1s of teacher education (initial and in-service) and also by the influence of certain specific characteristics ofthe cycles in questiono The sarne tendency of the teachers of the 2nd group was evidenced by those who are members of environrnental organizations, which suggests that contact with such organizations fosters a less human-centred relationship with nature. On the contrary, all the environmental projects had, almost exclusively, anthropocentric foundations. This, however, can be explained as a response to the environmental decline of the country in the last three decades, with a great influenceonthewell-being ofthepopulations,andnotasaresult ofanydidactic orpragmatic motives. The main influence cited by teachers on their concern with the environrnent was autobiographical statements of outdoor experiences during childhood and adolescence, in natural or rural places. This result should have consequences for the importance given to outdoor activities in the conceptualization of environmental education. The results of this study show that teachers are able to contrast different environrnental worldviews with their pupils once alerted to the importance of so doing. With this in mind, some general suggestions were included in this work to transform environrnental education into a broad area for discussion of the different ways of conceptualizing the relationship between humans and nature.
Dans cette étude, nous identifions les conceptions environnementales d'enseignants qui s'impliquent réguliêrement dans des projets d' Education Environnementale (EE). Nous partons d'un cadre théorique qui met en évidence trois principales perspectives dans les rapports de l'être humain avec la nature: l'anthropocentrisme (vision instrumentale), le biocentrisme (la reconnaissance intrinsêque des autres êtres vivants) et l'écocentrisme (attribution d'une valeur non instrumentale à des entités holistiques comme les écosystêmes). Nous avons aussi voulu vérifier l'incidence de ces mêmes perspectives dans le fondement et dans les objectifs des projets de l'EE développés par les enseignants dans les établissements scolaires. La motivation de cette recherche découle d'une possibilité (ou d'un soupçon) suggérée par différents auteurs et qui consiste à dire que les enseignants se limitent à transmettre, souvent sans réflexion préalable, une perspective anthropocentrique de domination de la Nature, perspective responsable de l'actuelle crise environnementale, ce qui les rend otages de I' endoctrinement des élêves dans une conception étroite de I'environnement. Pour vérifier cette hypothêse, nous avons interviewé 60 enseignants de différents cycles d'enseignement non supérieur, dans le ler trimestre de 2003, sur différents thêrnes liés de façon directe ou indirecte à des questions environnementales ainsi que sur d'autres aspects à caractêre général sur l'EE. Nous avons mis en évidence les facteurs que ces enseignants considéraient importants pour leur adhésion à la cause environnementale. Simultanément, on a analysé l'incidence environnementale de 120 projets soumis à I'Institut de Promotion Environnementale sur trois années scolaires (96/97, 98/99 et 99/00). Nous avons divisé les deux échantillons en fonction de la provenance des cycles d'un ou de plusieurs enseignants (1er sous-groupe: Matemelle et 1er Cycle; 2ème sous-groupe: 2ème et 3ème Cycles et Secondaire). Bien que nous ne nous attendions pas à des différences significatives en ce qui concerne les conceptions des différents enseignants, nous avons admis comme probable une plus grande incidence de la perspective anthropocentrique dans les projets proposés par les enseignants du 1er sous-groupe, pour des raisons didactiques ou pragmatiques (la défense de l'environnement pour des raisons strictement humaines peut être mieux comprise par les enfants ou susciter plus facilement leur adhésion). Les deux autres critêres adoptés dans la division de l'échantillon des professeurs interviewés ont été considérés en fonction de la possibilité qu'ont les professeurs diplômés en Sciences Naturelles et les membres des organisations environnementales de posséder une plus grande préparation et connaissance écologiques qui puisse influencer leurs conceptions écocentriques. Lors du traitement des données de l'interview, nous avons utilisé le plus souvent possible des méthodes de statistique inférencielle en vue d'une meilleure évaluation des différences obtenues. Nous avons aussi voulu vérifier si les ouvrages sur I'EE mettent en évidence l'importance qui consiste à confronter les élêves avec des idées caractéristiques des différentes perspectives environnementales. Dans cette analyse, nous avons mis en valeur les ouvrages dont l' édition a été subventionnée par des organismes d'Etat et par des ONG, les ayant considérés d'une approche plus facile. Les résultats ont mis en évidence une plus grande incidence sur les enseignants aux conceptions biocentriques (plus significative chez ceux du 1er sous-groupe), les conceptions anthropocentriques étant clairement minoritaires. Ceux du 2ème sous-groupe révêlent une plus grande incidence pour des conceptions écocentriques. Ces différences peuvent avoir un rapport avec le type de formation initiale et continue des enseignants ainsi qu'avec les expériences et les caractéristiques spécifiques des cycles dans lesquels ils enseignent. Les membres des organisations environnementales ont révélé une tendance similaire à celle des professeurs du 2ème sous-groupe, ce qui indique que ce type d'adhésion pennet des façons d'envisager la nature moins centrées sur I'être humain. Au contraire, les projets ont eu un contenu fortement anthropocentrique sans différences notoires en tennes des sous-groupes considérés. Cependant, nous pensons que ce type d'incidence est conjoncturel étant donné la dégradation environnementale accentuée dans notre pays pendant les trente derniêres années et qui n' obéit à aucune intention didactique ou pragmatique. En vue de leur prédisposition vis-à-vis des questions environnementales, les professeurs ont souligné J'importance du contact avec la nature pendant l'enfance et l'adolescence, ce qui oblige à repenser l'importance des activités d' outdoor dans la conceptualisation même de l'EE. Les publications de l'EE omettent pratiquement cette approche au thême en discussion. Devant ces résultats, nous pensons que les professeurs se trouvent en condition d'aborder des idées des différentes perspectives environnementales, une fois conscients de leur importance. En ce sens, nous présentons un ensemble de suggestions génériques qui visent transfonner I'EE en un espace ample de réflexion sur les différentes perspectives de concevoir la relation de l'être humain avec la nature.
Descrição: Tese de Doutoramento em Ciências da Educação na especialidade de Desenvolvimento Curricular apresentada à Universidade Aberta
URI: http://hdl.handle.net/10400.2/2484
Aparece nas colecções:Desenvolvimento Curricular / Curriculum Development

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