Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.2/2476
Título: Espiritualidade e androginia : um estudo sobre a figura do Berdache nas culturas índias norte-americanas
Autor: Machado, Ana Paula
Orientador: Pires, Maria Laura Bettencourt
Palavras-chave: Cultura americana
Índios
Crença religiosa
Mitos
Sexualidade
Androginia
Data de Defesa: 2007
Citação: Machado, Ana Paula - Espiritualidade e androginia [Em linha] : um estudo sobre a figura do Berdache nas culturas índias norte-americanas. Lisboa : [s.n.], 2007. 2 vol.
Resumo: Tendo por tema a figura índia do berdache, foi nosso intento investigar em que medida ela se encontrava ligada ao mito transcultural do ser andrógino e salientar a sua essência fundamentalmente espiritual, em consonância com a mundividência das culturas nativas americanas. Tivemos por base as críticas à obra de Walter Williams The Spirit and the Flesh, tentando aferir até que ponto estavam correctas e eram relevantes ou, pelo contrário, eram indicativas de um outro tipo de preconceitos, tentando simultaneamente averiguar acerca da existência da figura com as características que lhe eram imputadas por aquele autor. Por havermos tido a oportunidade de alargar os nossos conhecimentos sobre a mundivisão dos Índios norte-americanos, aquando da elaboração da nossa dissertação de Mestrado, inclinámo-nos a ver a figura como fazendo parte de um todo maior e a integrá-la nesse pano de fundo constantemente, tendo explorado a sua relação com o mundo do Mito no Capítulo I, aprofundado o conceito de espaço-tempo mítico no Capítulo II; estabelecido a ligação com o mito do ser andrógino no Capítulo III, apresentado as principais características da mundividência índia no Capítulo IV; salientado a conexão do berdache com outras figuras índias que unem ou invertem as polaridades, no Capítulo V; tentado dar um relato abrangente dos registos – históricos, antropológicos e míticos – da figura, assim como delinear as tensões e conflitos em torno do seu estudo e dos próprios indivíduos, actualmente, no Capítulo VI. Nesse processo, recorremos amplamente à obra de autores creditados, pois necessitávamos de fundamentar devidamente as nossas propostas mais arriscadas. Concluímos que o berdache se encontra de facto na mesma linha dos seres míticos andróginos índios e que se torna impossível abordá-lo de qualquer ângulo único, sem arriscarmos dele transmitir uma imagem parcial e incompleta. Durante o curso da nossa pesquisa, tendemos a deixar gradualmente para trás as questões iniciais – confirmando, muito embora, a autenticidade das afirmações de Williams – prosseguindo com a nossa própria investigação até a um campo que nos levou a reconhecer a possibilidade de existência de várias formas de cognição e de uma Epistemologia índia própria.
Having as our theme the American Indian figure of the berdache, we had the intent of investigating the extent to which it was connected to the trans-cultural ‘myth of the androgynous being’ as well as to underscore its fundamentally spiritual essence, according to the worldview of Native American cultures. We started from the objections raised to the work of Walter Williams, The Spirit and the Flesh, and tried to ascertain the degree to which they were accurate and relevant or indicative of other types of biases, and whether the figure actually existed with the characteristics ascribed to it by that author. From having worked on the American Indian worldview in our Master’s dissertation, we were inclined to see the figure as part of a larger whole, and therefore tried to set it against that background constantly, having explored its relationship to the world of Myth in Chapter One, expanded on the concept of mythic space and time in Chapter Two, linked it to the myth of Androgyny in Chapter Three, presented the main features of the Indian cosmos in Chapter Four, stressed the connection of the berdache to other Indian figures that invert or unite the polarities in Chapter Five, attempted to give a full account of the figure’s records - historical, anthropological, and mythical - as well as to provide an outline of the ideological and political tensions and conflicts that nowadays surround its study, and the individuals themselves, in Chapter Six. With that purpose, we relied heavily on the work of prestigious researchers, as we believed that could lend authenticity and credence to our own conclusions, supplying the solid basis we needed for our own more daring propositions. We concluded that the berdache was indeed in alignment with the Indian mythic androgynous beings and that it is impossible to approach it from only one single angle, without risking conveying a partial and incomplete image of it. In the course of our research, we tended to gradually leave our initial questions behind, confirming, however, the accuracy of Williams’ portrayal, proceeding thus with our own investigation, which, in due course, led us to the acknowledgement of the possibility of different forms of cognition and of an epistemology on its own terms.
Ayant pour thème de notre thèse la figure du berdache des tribus des Indiens américains, nous avons eu comme propos de rechercher ses liens avec le mythe trans-culturel de l’être androgyne et d’établir son essence fondamentalement spirituelle, en accord avec la cosmovision des cultures natives américaines. On a eu comme départ les critiques reçues par l’oeuvre de Walter Williams The Spirit and the Flesh, en essayant de découvrir leur précision ou, au contraire, leur préjugées et si la figure avait en effet existé, avec les caractéristiques que cet auteur lui avait attribuées. Comme on avait déjà étudié la cosmovision des Indiens américains, quand on a élaboré notre dissertation de Maîtrise, on était prédisposée a voir la figure comme étant intégrée dans un tout majeur, décidant alors la traiter dans sons propre entourage culturel, au long des chapitres de cette thèse. Dans le Châpitre I, on a exploré sa liaison avec le monde du Mythe; dans le Châpitre II, on a élargi le foc sur le temps et l’espace mythiques; dans le Châpitre III, on a exploré sa liaison avec le Mythe trans-culturel de L’Androgyne; dans le Châpitre IV, on a présenté les prinipales caractéristiques de la cosmovision indienne américaine; dans le ChâpitreV, on a établi la liaison du berdache avec les autres figures indiennes américaines qui réunissent les polarités; dans le ChâpitreVI, on a essayé de donner un panorama complet des registres historiques, anthropologiques et mythiques de la figure et de présenter les lignes de tension qui marquent son étude ou sa ‘personnification’ actuellement. On a eu comme recours l’oeuvre de plusieurs auteurs bien crédités dans leurs champs d’investigation, qu’on a utilisé pour fonder nôtres propres conclusions, les plus risquées. On a conclu que le berdache se trouve en accord avec les êtres androgynes mythiques indiens américains, en n’étant pas possible de l’approcher d’un seul autre angle, sans risquer d’en transmettre une image partielle et incomplète. Pendant le cours de notre investigation, on a laissé de côté les questions initiales – en confirmant, pourtant, les affirmations de Williams – et on a poursuit notre propre cours de recherche, qui nous a conduits a admettre la possibilité de l’existence de plusieurs formes de cognition et d’une épistémologie particulière.
Descrição: Tese de Doutoramento em Ciências Sociais e Humanas na especialidade de Estudos Ingleses e Americanos apresentada a Universidade Aberta
URI: http://hdl.handle.net/10400.2/2476
Aparece nas colecções:Estudos Americanos / American Studies

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