Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.2/2010
Título: Jose Saramago: ficção, história e Memorial do Convento
Autor: Vila Maior, Dionísio
Palavras-chave: José Saramago
Memorial do Convento
Ficcionalidade
Representação literária
Mimese
Referência
Mundo possível
Pacto de leitura
Personagem histórica
Romance histórico
História
Discurso histórico
Literatura
Discurso literário
Verdade ficcional
Verdade histórica
Leitor
Data: 2001
Editora: Pé de Página Editores
Citação: Vila Maior, Dionísio - Jose Saramago: ficção, história e Memorial do Convento. In Vila Maior, Dionísio - "Literatura em Discurso[s]: Saramago, Pessoa, cinema e identidade". Coimbra: Pé de Página Editores, 2001. ISBN 972-8459-21-1. p. 9-47
Resumo: Quando, em 1990, José Saramago publica no Jornal de Letras um artigo intitulado «História e ficção», pode dizer-se que não só atesta, ao nível da teorização literária em geral, a importância da problemática inerente à relação entre História e Literatura, como, sobretudo, vinca um cunho de algum modo programático da sua obra narrativa. Para apreendermos com nitidez qual a posição assumida por Saramago, parece-nos desde já indispensável atentar, nesse artigo, numa reflexão estreitamente relacionada com a questão que diz respeito às duas soluções discursivas possíveis, pelas quais um romancista que escolhe os “caminhos da História” pode optar: «[…] uma, discreta e respeitosa, consistirá em reproduzir ponto por ponto os factos conhecidos, sendo a ficção mera servidora duma fidelidade que se quer inatacável; a outra, ousada, leva-lo-á a entretecer dados históricos não mais que suficientes num tecido ficcional que se manterá predominante. Porém, estes dois vastos mundos, o mundo das verdades históricas e o mundo das verdades ficcionais, à primeira vista inconciliáveis, podem vir a ser harmonizados na instância narradora» (SARAMAGO, 1990: 19). Trata-se, como se vê, de uma passagem muito sugestiva, menos pela novidade do que pelas pistas que desvela. Com efeito, para além de nela esclarecer algo sobre o problema acarretado por um tipo particular de escrita literária narrativa, Saramago ajuda-nos a abrir caminho para um dos domínios mais delicados dos estudos literários — a relação entre História e Literatura —, e isto pelas consequências que, em termos operatórios, ele arrasta a um determinado nível: o que engloba a discussão dos termos e conceitos ficcionalidade, referência, verdade, mundo possível, História, pacto de leitura, relação verdade—ficção e relação História—ficção. Assim, as duas opções acima referidas por Saramago conduzem-nos, em primeiro lugar, a uma reflexão geral sobre o problema da ficcionalidade. A leitura de um romance como o Memorial do Convento obviamente que não interessa apenas adoptando uma atitude inconsequente (que consistiria na mera identificação dos elementos ficcionais desse texto, pela verificação do tipo de existência que lhes podemos atribuir). É, com efeito, necessário reflectir sobre o carácter ficcional do discurso literário, tentando compreender, a um nível imediato, as virtualidades técnico-discursivas e, a um nível mediato, as estruturas profundas de índole semântico-ideológica que estão inerentes a essa discursividade. Para isso, há que fazer apelo à Teoria da Literatura, à Narratologia, à Semântica e à Pragmática.
Peer review: yes
URI: http://hdl.handle.net/10400.2/2010
ISBN: 972-8459-21-1
Aparece nas colecções:Língua, Literatura e Cultura Portuguesas - Capítulos/artigos em livros nacionais / Book chapters/papers in national books

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