Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.2/1720
Título: Relações interétnicas, dinâmicas sociais e estratégias identitárias de uma família cigana portuguesa : 1827-1957
Autor: Sousa, Carlos Jorge dos Santos
Orientador: Horta, Ana Paula Beja
Machado, Fernando Luís
Palavras-chave: Sociedade portuguesa
Século XIX
Século XX
Minorias étnicas
Ciganos
Família
Relações interétnicas
Identidade cultural
Dinâmica social
Histórias de vida
Data de Defesa: 2010
Citação: Sousa, Carlos Jorge dos Santos - Relações interétnicas, dinâmicas sociais e estratégias identitárias de uma família cigana portuguesa [Em linha] : 1827-1957. [Lisboa] : [s.n.], 2010. 427 p.
Resumo: Esta tese pretende contribuir para um melhor conhecimento das relações existentes entre uma família cigana, residente em Lisboa, e a restante sociedade portuguesa que com ela se relacionou. São três os indivíduos investigados. As dinâmicas sociais, culturais e étnicas desenvolvidas por estes três indivíduos, e a sua família, foram objecto de investigação de forma a compreender a pluralidade das suas pertenças étnicas através dos contrastes e continuidades, nas suas dimensões sociais e culturais, com a restante sociedade portuguesa. Relações Interétnicas, Dinâmicas Sociais e Estratégias Identitárias de uma Família Cigana Portuguesa são estudadas desde 1827 – ano do nascimento de Manuel António Botas – até 1957, ano do falecimento de António Maia, neto deste, e filho de Maria da Conceição de Sousa e Botas. As histórias de vida destes três indivíduos pertencentes a uma família cigana lisboeta são investigadas a partir dos relatos orais de membros desta família; do jazigo de família; dos registos paroquiais de baptismo, casamento e óbito; dos jornais relativos aos períodos que medeiam aquelas datas; dos arquivos militares e da Liga dos Combatentes da Grande Guerra. Estas fontes foram instrumentalizadas de maneira a possibilitar e a inter-relacionar categorias de informação que permitiram, através da sua triangulação, a consolidação, descoberta e a criação de novos conhecimentos. Nascido dois anos depois do primeiro quartel do século XIX, Manuel António Botas foi bandarilheiro, director de corridas, guitarrista, amigo da Severa e do Conde de Anadia, entre outros. A sua participação pessoal e, sobretudo, profissional na sociedade oitocentista portuguesa influenciou a geração do seu tempo e as vindouras. A sua filha, Maria da Conceição de Sousa e Botas, casou pela igreja católica e de acordo com a Lei cigana, com um cigano, José Paulos Botas, com quem conceberia oitos filhos. Tia Chata, nome pelo qual viria a ser conhecida na idade adulta, transformou-se numa mulher de respeito. Um dos seus filhos, António Maia, casou com uma jovem cigana que não seria, segundo os testemunhos, o amor da sua vida. Foi combatente na Primeira Grande Guerra, vindo a falecer, vítima de gases nela inalados. A sua actividade política/social/económica/profissional e, sobretudo, a mediação cultural fize-ram dele um tradutor-intérprete intra/intercultural. O estudo desta família demonstrou: que as relações interétnicas são uma constante e que o espaço de sociabilidade é intra/inter-étnico; que predominam as continuidades quer quanto à localização residencial, quer quanto à religiosidade; que existem contrastes e continuidades quer na língua, quer no luto, quer no matrimónio, preferencialmente intra-étnico, e que este se realiza de acordo com a lei cigana e/ou com a da igreja católica. A rede de alianças (intra/inter) é construída a partir do matrimónio e do baptismo.
This thesis attempts to contribute to a better understanding of the relations between a gipsy family living in Lisbon and the Portuguese society with which it has become acquainted. Three individuas are here studied. The social, cultural and ethnic dynamics brought about by these three individuals and their family were investigated so as to understand the diversity of their ethnic origins through the contrasts and continuities, in their social and cultural dimensions, with the Portuguese society in general. Interethnic Relations, Social Dynamics and Identitary Strategies of a Gipsy Portuguese Family are studied since 1827 – the year Manuel António Botas was born – until 1957, the year António Maia, António Botas’s grandson and Maria da Conceição de Sousa e Botas’s son, died. The life stories of these three individuals belonging to a gypsy family from Lisbon are investigated from the oral accounts of its members; the family tomb; the church records of baptism, marriage and death; the newspapers from the years between these two dates; the military archives and the First World War Fighters League. These sources were used so as to enable and to interrelate categories of information which allowed, by its triangulation, the consolidation, discovery and creation of new knowledge. Manuel António Botas was born two years after the first quarter of the nineteenth century. He was a banderillero, a bullfighting director, a guitarist, a friend of Severa and Count of Anadia’s, among others. His personal and, above all, professional involvement in the nineteenth-century Portuguese society exerted influence upon the generation of his time as well as upon the future generations. His daughter Maria da Conceição de Sousa Botas, got married by the Catholic Church and in accordance with the Gypsy law, to a gypsy, José Paulos Botas, with whom she would give birth to eight children. Aunt Chata, by which name she would get known as an adult, has become a respected woman. One of her sons, António Maia, got married to a young gypsy who, according to witnesses, wasn’t the love of his life. He fought in the First World War and he died, a victim of the noxious action of gases. His political / social / economic / professional activity and, above all, the cultural mediation he achieved made him an intra / intercultural interpreter-translator. The study of this family has shown that interethnic relations are constant, the space for conviviality is intra / interethnic and that continuity of both residential location and religiosity prevails. It has also shown that there are contrasts but also constancy either in the language, mourning or matrimony. This one, preferably intraethnic, is held according to the gipsy law and / or the catholic church. The net of alliances (intra/inter) is built on matrimony and baptism.
Cette thèse prétend contribuer à une meilleure connaissance des rapports établis entre une famille gitane, résidente à Lisbonne, et la restante société portugaise qui s’est rapportée avec elle. Ce sont trois les individus le sujet de cette investigation. Les dynamiques sociales, culturelles et ethniques développées par ces trois individus, et leur famille, ont été l’objet de notre investigation de façon à comprendre la pluralité de leurs appartenances ethniques à travers les contrastes et les continuités, dans leurs dimensions sociales et culturelles, avec la restante société portugaise. Des Rapports Interethniques, des Dynamiques Sociales et des Stratégies Identitaires d’une Famille Gitane Portugaise sont étudiés depuis 1827 – l’année de la naissance de Manuel António Botas – jusqu’à 1957, l’année de la mort de António Maia, le petit-fils de celui-là, et l’enfant de Maria da Conceição de Sousa e Botas. Les histoires de vie de ces trois individus appartenants à une famille gitane lisbonnaise sont attentivement recherchées en partant des récits oraux de membres de cette famille; du tombeau de famille; des registres paroissiaux de baptême, de mariage et de décès; des journaux publiés et concernants les périodes qui lient ces dates-là; des archives militaires et de ceux de la Liga dos Combatentes da Grande Guerra. Ces ressources ont été compulsées de façon à rendre possible et à établir des rapports entre des catégories d’information qui ont permis, par leur triangulation, la consolidation, la découverte et la création de nouvelles connaissances. Né deux ans après le premier quartier du XIXe siècle, Manuel António Botas a été banderillero, directeur de courses de taureaux, guitariste, l’un des amis de Severa, la célebre chanteuse de fado, et du comte d’Anadia, entre autres. Sa participation personnelle et, surtout, professionnelle, à la société portugaise de son époque, a influencé sa génération contemporaine et celles à venir. Sa fille, Maria da Conceição de Sousa e Botas, s’est mariée selon les rites de l’église catholique et selon la Loi gitane aussi, avec José Paulos Botas, lui aussi gitan, et avec lequel concevrait huit enfants. Tia Chata, le sobriquet par lequel viendrait à être connue à l’âge adulte, s’est rendue une femme de respect. L’un de ses enfants, António Maia, s’est marié avec une jeune fille gitane qui ne serait pas, selon les témoignages, son véritable amour. Il a été l’un des combattants de la Première Grande Guerre, et il est mort, car il y avait été gazé. Son activité politique/sociale/économique/professsionnelle et, surtout, la médiation culturelle ont fait de lui un traducteur/interprète intra/interculturel. L’étude de cette famille a démontré: que les rapports interethniques sont une constante et que l’espace de sociabilité est intra/ interethnique ; que ce sont les continuités qui prédominent soit quant à localisation résidentielle, soit quant à la religiosité ; que ce sont les contrastes et les continuités qui existent à la langue, au deuil et au mariage, préférentiellement intra-ethnique, et que celui-ci se célèbre selon la loi gitane et/ou selon celle de l’église catholique. Le réseau d’alliances (intra/inter) est construit en partant du mariage et du baptême.
Descrição: Tese de Doutoramento em Sociologia na especialidade de Relações Interculturais apresentada à Universidade Aberta
URI: http://hdl.handle.net/10400.2/1720
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