Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.2/1702
Título: Gestão de conflitos e desgaste profissional no bloco operatório : o caso dos enfermeiros
Autor: Vargas, Maria do Carmo Fialho
Orientador: Jesuíno, Correia
Palavras-chave: Comunicação em saúde
Enfermagem
Pessoal de enfermagem
Gestão de pessoal
Conflito
Desgaste profissional
Bloco operatório
Data de Defesa: 2010
Citação: Vargas, Maria do Carmo Fialho - Gestão de conflitos e desgaste profissional no bloco operatório [Em linha] : o caso dos enfermeiros. Lisboa : [s.n.], 2010. 193 p.
Resumo: Este trabalho de Investigação surgiu no âmbito da Dissertação de Mestrado em Comunicação em Saúde, da Universidade Aberta. O ponto de partida para esta investigação consistiu em conhecer qual a estratégia de gestão de conflitos que a equipa de enfermeiros do Bloco Operatório do Hospital Garcia de Orta, E.P.E. mais utiliza e, se estas estão associadas aos níveis de Desgaste Profissional – Burnout. Baseando-nos em vários autores que defendem que as profissões de ajuda, onde se inserem os profissionais de saúde, são altamente susceptíveis ao desgaste profissional, o denominado Burnout, surgiram os seguintes objectivos de investigação:  Identificar as estratégias de gestão de conflitos utilizadas pela equipa  Identificar as dimensões do Burnout Partindo da definição de Burnout como a resposta prolongada no tempo a stressores interpessoais crónicos no local de trabalho e, sendo o Bloco Operatório um local extremamente despersonalizante, que submete os seus trabalhadores a um stress contínuo, quer pelos aspectos físicos propriamente ditos, quer pelas situações críticas que aí sucedem, colocamos a seguinte questão de partida para este estudo: “ Será que os estilos de gestão de conflitos utilizados pelos enfermeiros do Bloco Operatório do HGO, EPE estão associados aos seus níveis de desgaste profissional?” Metodologicamente trata-se de um estudo do tipo descritivo, de carácter exploratório e transversal, uma vez que partimos da formulação de Hipóteses explicativas de uma realidade concreta que pretendemos testar e, recorremos ao questionário como instrumento de colheita de dados. O questionário é um método de colheita de dados que recorre às respostas escritas a um conjunto de questões, por parte dos sujeitos. Trata-se dum instrumento de medida que traduz os objectivos de um estudo com variáveis mensuráveis. A opção pelos inquéritos como instrumento de colheita de dados, revela a nossa escolha pelo paradigma quantitativo. Este tipo de investigação mostra-se geralmente apropriado quando existe a possibilidade de recolha de medidas quantificáveis de variáveis e inferências a partir de amostras de uma dada população. A população deste estudo são os enfermeiros que prestam cuidados num Bloco Operatório de um Hospital da Grande Lisboa, sendo a nossa amostra constituída por 40 enfermeiros. Os indivíduos da amostra serão seleccionados de forma aleatória, serão submetidos a um processo de amostragem não probabilística, mais concretamente optámos por utilizar o método da amostragem intencional ou de conveniência, a qual consiste em recorrer aos sujeitos que estão acessíveis num dado momento e em determinado local. Cada um dos indivíduos da amostra respondeu a três questionários: um de caracterização sócio-demográfico, o MBI ( Maslach Inventory Burnout) e um de Estratégias para Gestão de Conflitos. O inventário de Burnout de Maslach (MBI) resulta da tradução e adaptação do Maslach Burnout Inventory (Maslach & Jackson, 1986) para a língua portuguesa por Cruz e Melo em 1996 e que permite avaliar o stress e Burnout nos profissinais de ajuda em Portugal. Este questionário resultou de vários estudos efectuados com indivíduos cujas profissões implicassem o contacto directo com outras pessoas, com o intuito de perceber os efeitos do Burnout nos profissionais de ajuda. Para avaliar o estilo de gestão de conflitos foi utilizado o questionário de “Estratégias para Gestão de Conflitos ” referenciado por Jesuino (2003) adaptado de Thomas (1976). As estratégias distribuem-se pelos cinco estilos: Imposição, Compromisso, Integração, Acomodação e Evitamento. Numa fase posterior, os dados foram sujeitos a análise estatística, através de modelos matemáticos, no sentido de testar as hipóteses levantadas, com recurso ao SPSS (Statistical Package for the Social Sciences).Os princípios da beneficência e anonimato foram integralmente respeitados na investigação, nomeadamente durante o processo de recolha de dados. Após análise e tratamento dos dados obtidos foram várias as conclusões emergentes neste estudo: - Os enfermeiros inquiridos apresentam níveis baixos de exaustão emocional e de despersonalização e, um nível médio de realização pessoal. Desta forma, podemos afirmar que, de um modo geral, os Enfermeiros participantes no estudo manifestam um baixo nível de Burnout. - Relativamente à estratégia de gestão de conflitos primária a que os enfermeiros da amostra mais recorrem verificamos que é o Compromisso sendo a secundária a Acomodação. - Da correlação efectuada entre as várias variáveis: Estilos de gestão de conflitos, Burnout e variáveis sócio-demográficas, os resultados em termos estatísticos não demonstraram diferenças significativas, pelo que não nos foi permitido aceitar as hipóteses por nós levantadas; com excepção para a relação existente entre o tipo de vínculo ao quadro e a escolha da estratégia de gestão de conflitos. Nesta hipótese confirmámos que os enfermeiros que pertencem ao quadro da instituição utilizam mais o estilo de imposição para resolver os seus conflitos. Se os enfermeiros não mobilizarem adequadamente os recursos que têm ao seu dispor na gestão de conflitos, poderá ocorrer um maior índice de Desgaste. O trabalho em equipa pluridisciplinar como o desenvolvido pelos enfermeiros no Bloco Operatório em que o stress é presença assídua e, a escolha de um estilo de gestão de conflitos desajustado à situação pode deteriorar as relações interpessoais e diminuir a realização profissional conduzindo a situações de exaustão e despersonalização. Neste sentido, é essencial a criação de recursos de suporte que apoiem estes profissionais. A formação dos vários técnicos de saúde nestas temáticas traria um grande contributo para o bem-estar da equipa e dos seus utentes.
Descrição: Dissertação de Mestrado em Comunicação e Saúde apresentada à Universidade Aberta
URI: http://hdl.handle.net/10400.2/1702
Aparece nas colecções:Mestrado em Comunicação em Saúde / Master's Degree in Health Communication - TMCS

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