Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.2/1572
Título: Menopausa e sexualidade : o (des)prazer de envelhecer
Autor: Azevedo, Irene Conceição Silva Cerejeira
Orientador: Joaquim, Teresa
Magalhães, Maria José
Palavras-chave: Menopausa
Educação para a saúde
Mulheres
Envelhecimento
Sexualidade
Histórias de vida
Women
Menopause
Sexuality
Life histories
Health education
Community
Data de Defesa: 2010
Resumo: A menopausa, enquanto última fase do ciclo reprodutivo da mulher, marca a transição para uma fase com mudanças físicas e psicológicas que podem ser influenciadas pelo contexto social e histórico-cultural em que a mulher está inserida. O objecto de estudo desta dissertação incide nas vivências da sexualidade das mulheres em menopausa fisiológica, tendo como finalidade conseguir, com o contributo das mulheres, conhecer as necessidades que emergem dessas vivências, centrando-nos nas dificuldades referidas pelas próprias. Com base numa problemática teórica, esta investigação assenta nas perspectivas de género, no campo dos estudos sobre as mulheres, na compreensão do lugar das mulheres no contexto social, histórico e familiar (Gorjão, 2002; Pimentel, 2000) na construção social do feminino e do ser mulher (Joaquim, 1983; Barbre, 2003; Emily Martin, 2006) e do papel dos movimentos feministas no desafio a esses constrangimentos (Tavares, 2000; Magalhães, 1998). Relacionando o lugar da mulher na sociedade e o papel dos profissionais de saúde, aborda-se igualmente o cuidar em enfermagem (Lenninger, 1991; Meleis, 1996) entre outros com especial destaque para a importância da responsabilidade profissional e do agir profissional, associando esta necessidade de intervenção aos contextos mais favoráveis (Nunes, 2008; Sousa, 2008). Menopausa e envelhecimento constituem uma parte relevante para compreender a construção social acerca da menopausa suportada na definição, conceitos adjacentes e medicalização, segundo diferentes autores e organizações (OMS, 1996; Palácios, 1990; SPM, 1998; Northup, 2006; Antunes, 1999; Chaby, 1995). Simultaneamente, trabalham-se as formas de regulação que enformam os conceitos de sexualidade balizados por López e Fuertes (1989) e por Pacheco (2000) entre outros. Nesta investigação, a proposta epistemológica e a estratégia metodológica desenvolvem-se na perspectiva de um estudo centrado no método biográfico, nas histórias de vida como metodologia fundamental (Ferrarotti, 1983; Araújo e Magalhães, 1999; Magalhães, 2005; Morais, 2008) através da construção de narrativas biográficas, valorizando as subjectividades e as especificidades através das vozes e dos silêncios de cinco mulheres em menopausa, em contextos sócio geográficos diferentes. Estas narrativas constituem um conteúdo heterogéneo, fracturado e cujo resultado conjuntural está relacionado com as suas experiências de vida anteriores e presentes, em todas as dimensões da vida, desde a vida conjugal à profissional. Através destas histórias de vida, apresenta-se o que muda nas vidas destas mulheres com a menopausa, as suas representações sobre a sexualidade neste período do seu ciclo vital, a relação com o companheiro (tendo-nos focado exclusivamente na relação heterossexual por razões de pragmatismo), os seus medos e anseios ao nível da sexualidade na menopausa e a ajuda que procuram. Como contributos foi possível perceber como cada mulher vivenciou a sua sexualidade na menopausa, que estas histórias de cada mulher se misturam com a de todas, apenas pela semelhança em alguma sintomatologia. Associados à condição de ser mulher em menopausa, os medos e os anseios que vivenciam ao nível da sexualidade nesta fase de transição são motivo de constrangimento e com tendência a comprometer a sua qualidade de vida. Verificamos que as mulheres com mais amigas parecem ser as mais empoderadas e mais firmes. Quanto aos desconfortos recorrem ao médico e nunca procuram o apoio do EESMO por desconhecimento das suas competências profissionais nesta fase do ciclo reprodutivo. Emerge a importância de trabalhar o conhecimento das mulheres sobre menopausa e sexualidade, no sentido de as empoderar para tomarem decisões informadas e adequadas. Perante esta vulnerabilidade, dado que as propostas vão além do modelo biomédico, verifica-se que importa contemplar a dimensão do conhecimento, através da educação para a saúde, individual ou em grupo, nos Centros de Saúde ou preferencialmente na comunidade, tendo como finalidade última uma melhor saúde nas menopausas para as mulheres.
Menopause, as the final stage of the female reproductive cycle, marks the transition to a phase with physical and psychological changes that may be influenced by social context and historical-cultural environment in which women are inserted. The study object of this dissertation focuses on women´s sexual experiences in physiological menopause, and aims to know - with women´s contribution - the needs emerging from these experiences, focusing on the difficulties reported by them. Based on a theoretical problem, this research builds upon gender perspectives, in studies on women, in understanding the women´s place in social, historical, and family context (Gorjão 2002; Pimentel, 2000) as well as the social construction of female and womanhood (Joaquim, 1983; Barbre, 2003; Emily Martin, 2006) and the role of feminist movements in the challenge to these constraints (Tavares, 2000; Magalhães, 1998). Making a relation between the women´s place in society and health professionals’ role, we approach the nursing care (Hesbeen, 2000; Lenninger, 1991; Meleis, 1996) with particular emphasis on the importance of professional responsibility and professional acts, associating this intervention´s need to the most favorable contexts (Nunes, 2008; Sousa 2008). Menopause and aging are an important part to understand the menopause´s social construction supported by its definition, concepts and medicalization, according to different authors and organizations (OMS, 1996; Palácios, 1990; SPM, 1998; Northup, 2006; Antunes, 1999; Chaby 1995). The regulation shapes (contours) that form the sexuality concepts are marked out by Lopez and Fuertes (1989) and Pacheco (2000) among others. In this investigation, the epistemological proposal and the methodological strategy are developed in the perspective of a study upon the biographical method and the stories of life as the fundamental methodology (Ferrarotti, 1983; Araújo and Magalhães 1999; Magalhães, 2005; Morais, 2008), by constructing biographical narratives, giving value to the subjectivities and specificities through the voices and silences of five women in menopause, in different geographic contexts. These narratives have varied contents, fractured and whose outcome is related to past and present life experiences, in all life dimensions, from marriage to work. Through these life stories, it show the changes in their lives, their representations of sexuality in this period of their life cycle, the relationship with their partners (keeping us focused exclusively on heterosexual relationship for pragmatism reasons), their fears and anxieties at the level of sexuality in the menopause and the kind of help that they seek. As contributions it was possible to see how each woman experienced her sexuality in the menopause, as the stories of each one mix with all stories, only because of some similarity in symptoms. Associated to the condition of being a woman in menopause, the fears and anxieties that they experience, at the level of their sexuality, in this transitional phase are an embarrassment and likely to compromise their life quality. We found that women with more friends seem to be more empowered and stronger. Towards the discomforts they call upon the doctor and never seek EESMO support because they ignore the EESMO competences in this area. Emerges the importance of working women's knowledge about menopause and sexuality, therefore they can make informed and appropriated decisions. Faced this vulnerability, and as proposals go beyond the biomedical model, it is verified that it matter contemplating the knowledge dimension, through health education, individually or in groups, in primary care or preferably in the community, having as ultimate goal better health in menopause for women.
La ménopause, en tant que phase finale du cycle de reproduction de la femme, marque la transition vers une phase avec des changements physiques et psychologiques qui peuvent être influencés par le contexte social, historique et culturel dans lequel la femme est inséré. L'objet d'étude de cette thèse se concentre sur l'expérience de la sexualité des femmes dans la ménopause physiologique, et vise à prendre connaissance, avec la contribution des femmes, des besoins qui ressortent de ces expériences, en se concentrant sur les difficultés qu’elles signalent.Basé sur un problème théorique, cette recherche se centre sur l'égalité des sexes dans le domaine des études sur les femmes, dans la compréhension de la place des femmes dans les domaines social, historique et de la famille (Gorjão, 2002 ; Pimentel, 2000), dans la construction sociale du féminin et de la condition d’être femme (Joaquim, 1983 ; Barbre, 2003 ; Emily Martin, 2006) et du rôle des mouvements féministes dans le défi de ces contraintes (Tavares, 2000 ; Magalhães, 1998). En mettant en relation la place des femmes dans la société et le rôle des professionnels de la santé, on aborde également les soins infirmiers (Lenninger, 1991; Meleis, 1996) entre autres, avec un accent particulier sur l'importance de la responsabilité professionnelle et de l’action professionnelle, associant cette nécessité d’intervention à des contextes plus favorables (Nunes, 2008 ; Sousa, 2008). La ménopause et le vieillissement jouent un rôle important pour comprendre la construction sociale au sujet de la ménopause présentée par la définition des concepts adjacents, et la médicalisation, selon des auteurs et des organisations différentes (OMS, 1996 ; Palácios, 1990 ; SPM, 1998 ; Northup, 2006 ; Antunes, 1999 ; Chaby, 1995). Les formes de régulation qui donnent forme aux concepts de sexualité balisés par López et Fuertes (1989) et Pacheco (2000) entre autres, s’articulent simultanément. La proposition épistémologique et la stratégie méthodologique de ce travail de recherche se développent sous la perspective d'une étude portant sur la méthode biographique, les histoires de vie comme une méthodologie fondamentale (Ferrarotti, 1983 ; Araújo et Magalhães, 1999 ; Magalhães, 2005 ; Morais, 2008), en construisant des récits biographiques, en valorisant les subjectivités et les spécificités à travers les voix et les silences de cinq femmes en ménopause, dans différents contextes sociaux et géographiques. Ces récits sont un contenu varié, dispersé et dont l'issue conjoncturelle est liée aux expériences de la vie passées et le présentes, dans toutes les dimensions de la vie, du mariage au travail. Grâce à ces récits de vie, il est possible de présenter les changements dûs à la ménopause dans la vie de ces femmes, leurs représentations de la sexualité dans cette période de leur cycle de vie, la relation avec leur partenaire (nous nous sommes tenu exclusivement sur les relations hétérosexuelles pour des raisons pragmatiques), leurs craintes et leurs inquiétudes au niveau de la sexualité dans la ménopause et l'aide qu’elles cherchent. Cette recherche a contribué à comprendre comment chaque femme a vécu sa sexualité dans la ménopause et que l’histoire de chaque femme se mêle à celles des autres, par une certaine similitude des symptômes.Associés à la condition d'être une femme en ménopause, les peurs et les angoisses qu'elles éprouvent au niveau de la sexualité durant cette phase de transition sont une source d'embarras, tendant à compromettre leur qualité de vie. Nous avons constaté que les femmes ayant plus d'amis semblent être plus autonomes et plus fortes. Quand elles ne se sentent pas bien, elles vont chez le médecin et ne sollicitent jamais l'appui de l’EESMO, par ignorance de ses compétences professionnelles, à ce stade du cycle de reproduction. On constate l'importance d’étudier les connaissances des femmes sur la ménopause et la sexualité, à fin de les habiliter à prendre des décisions éclairées et appropriées. Compte tenu de cette vulnérabilité, étant donné que les propositions vont au-delà du modèle biomédical, il semble qu'il est important d’envisager l'étendue des connaissances, individuellement ou en groupes à travers l'éducation sanitaire, dans les centres de santé ou, de préférence, dans la communauté, avec l'objectif ultime d’obtenir une meilleure santé dans les ménopauses pour des femmes.
Descrição: Dissertação de Mestrado em Estudos sobre as Mulheres apresentada à Universidade Aberta
URI: http://hdl.handle.net/10400.2/1572
Aparece nas colecções:Mestrado em Estudos Sobre as Mulheres / Master's Degree in Women Studies - TMEMU

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