Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.2/1525
Título: Modos de mitigação da solidão do herói austeriano : um estudo de Oracle night e The brooklyn folies
Autor: Pires, Alexandra de Medeiros Mesquita
Orientador: Avelar, Mário
Palavras-chave: Emigração
Reinserção
Açores
Data de Defesa: 2010
Resumo: Este trabalho pretende demonstrar que, ao longo da obra de Paul Auster, a arte, em geral, e a literatura, em particular, são formas de regeneração, imortalização e mitigação da solidão do herói. A solidão como tema recorrente na obra do autor, para além de ser ilustrativa da condição pós-moderna, à qual subjazem sentimentos de alienação, confusão, dúvida, desestruturação e desagregação do sujeito, permite estudar dois tipos de reacção: a auto-destruição, por um lado, e a fuga pela arte, por outro. A questão da solidão construtiva, em que o indivíduo aproveita o facto de estar isolado para se tornar criativo, para se reinventar através da escrita e se perpetuar para além da sua vida física, será abordada de forma mais exaustiva, no intuito de demonstrar que Auster parece ir além da escrita experimental mas pessimista do denominado movimento pós-modernista, sendo um escritor no limbo de uma nova era a que o sociólogo Marc Augé dá o nome de Sobremodernidade. Todavia, Auster não deixa de apresentar características pós-modernistas na sua ficção. Destas, analisararemos o discurso irónico e metaficcional, procurando evidências destes nas obras Oracle Night e The Brooklyn Follies. Tendo por base estas características – pós e sobremodernas – procurámos gizar um tipo de herói, que não segue nenhuma tradição específica, mas que bebe de várias, ao qual demos o nome de herói austeriano. Neste âmbito, foram descritos os contextos espacio-temporais em que estas personagens se movimentam: a predilecção do autor por dois espaços complementares - a cidade de Nova Iorque e o conceito de quarto fechado – e por um “whirlpool” de planos temporais que se intersectam, sobrepõem e misturam labirinticamente. Será ainda analisado o modo como o discurso irónico contribui para a construção destas personagens, bem como uma subtil voz autoral, apenas auto-referencial e não autobiográfica, se pode discernir em passos frequentemente metaliterários ou metaficcionais. Finalmente, tentaremos demonstrar que o herói austeriano mitiga a sua solidão - fruto da fragmentação, alienação, ausência de causalidade e destino, e sua substituição pela supremacia do acaso na tessitura narrativa, muito própria da ironia pós-modernista - através de reacções positivas e construtivas, de entre as quais se destacam a criatividade artística consubstancializada na produção escrita literária e/ou não-ficcional.
This dissertation’s purpose is to demonstrate that, throughout Paul Auster’s fiction, literature and art are ways to the subject’s regeneration and immortalization, as well as to soften the hero’s solitude. Solitude, besides being illustrative of the postmodern condition and its subject’s state of alienation, confusion and doubt, allows the study of two kinds of reaction: on one hand, self-destruction, on the other, artistic creativity. The Constructive Solitude, within which the subject makes the best of loneliness to be creative, to reinvent himself through writing and to perpetuate himself beyond his physical existence, will be studied in a more thoroughly way, so that we prove that Auster seems to go further than experimental though pessimistic post-modernist writing, and cross the border into a new age, which the sociologist Marc Augé denominates supermodernity. However, Auster’s fiction still presents post-modernist details. We will analyse ironic and metafictional speech, searching for evidence of postmodernist influence in Oracle Night and The Brooklyn Follies. Based on these characteristics – both post and super modern – we tried to draw a type of hero that doesn’t stand for any particular literary tradition but filters several of them. We named this hero “austerian”. In this context, we described space and time categories in which this hero moves: Auster’s preference for two complementary spaces – New York City and the “locked room” – and for a time whirlpool, where different level intersect creating labyrinths. It will also be studied the contribution given by the ironic speech to the fictional characters construction, as well as the author’s subtle voice, playing metaliterary games with his reader and teasing him with self-referent (and not self-biographical) details. Finally, we tried to prove that the austerian hero softens his solitude – caused by his fragmentation, alienation and lack of casuality and destiny, which were replaced by chance supremacy – adopting positive and constructive postures from which we highlight artistic creativity, translated in literary or / and non-fictional writing.
Ce travail cherche à démontrer que tout au long de l’oeuvre de Paul Auster, l’art, en général, et la littérature, en particulier, sont des formes de régénération, d’immortalisation et de mitigation de la solitude du héros. La solitude, en tant que sujet récurrent dans l’oeuvre de l’auteur, en plus d’être illustrative de la condition postmoderne, à laquelle sont sous-jacents des sentiments d’ aliénation, de confusion, de doute, de perte de structures et de désagrégation de l’individu, nous permet d’étudier deux formes de réaction : l’autodestruction, d’un côté, et la fuite par l’art, d’un autre. La question de la solitude constructive, laquelle où l’individu profite du fait d’être isolé pour devenir créatif, pour se réinventer par l’écriture et se perpétuer au-delà de sa vie physique, sera traité d’une façon plus détaillée, à fin de démontrer que Auster semble dépasser l’écriture expérimentale, mais pessimiste, du dénommé mouvement postmoderniste et devenir un écrivain situé au limbe d’une ère nouvelle, laquelle Marc Augé désigne par Surmodernité. Cependant, Auster présente dans sa fiction des caractéristiques postmodernistes. Parmi celles-ci, nous irons analyser le discours ironique et metafictionel, en cherchant les évidences dans ses ouvrages Oracle Night et The Brooklyn Follies. Ayant pour base ces caractéristiques – post et surmodernes – nous avons cherché d’esquisser une sorte de héros qui ne suit aucune tradition spécifique, mais qui se nourrit de plusieurs, et lequel nous avons désigné de héros austerian. Dans cet encadrement, nous avons décrit les contextes espace-temps où ces personnages défilent: la préférence de l’auteur par deux espaces complémentaires - la ville de New York et le concept de chambre fermée – et para un «whirlpool» de plans temporels qui s’interceptent, se superposent et se mêlent d’une façon labyrintique. Nous analyserons aussi la façon dont le discours ironique contribue à la construction de ces personnages, aussi bien qu’une voix subtil de l’auteur, tout simplement auto-referencielle et pas autobiographique, qu’on peut découvrir dans des passages frequemment metalitéraires ou metafictionels. Finalement, nous essayerons de démontrer que le héros austerian soulage sa solitude – fruit de la fragmentation, de l’aliénation, de l’absence de causalité et de destin et son remplacement par la suprématie du hasard dans le tissu de la narration, très propre à la ironie postmoderniste – par le moyen des réactions positives et constructives, parmi lesquelles se détachent la créativité artistique concrétisée dans la production écrite littéraire et/ou non-fictionelle.
Descrição: Dissertação de Mestrado em Estudos Americanos apresentada à Universidade Aberta
URI: http://hdl.handle.net/10400.2/1525
Aparece nas colecções:Mestrado em Estudos Americanos / Master's Degree in American Studies - TMEA

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