Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.2/1433
Título: A relação enfermeiro/doente na prática de cuidados à pessoa hospitalizada com traumatismo vértebro-medular
Autor: Varanda, Estela Maria Guerreiro
Orientador: Lopes, Manuel
Palavras-chave: Comunicação em saúde
Enfermeiros
Cuidar
Hospitais
Internamento hospitalar
Reabilitação
Paraplegia
Tetraplegia
Data de Defesa: 2009
Resumo: A relação enfermeiro-doente possui características próprias, nem sempre fáceis de identificar. Um doente que desafia as capacidades relacionais da enfermeira é certamente aquele que sofreu, após um acidente, um Traumatismo Vértebro- Medular (TVM). Com este estudo pretendeu-se desvendar a realidade da relação enfermeirodoente com TVM, no que ela possa ter de dificuldades, de desenvolvimento de competências e de potenciais saberes. Traçaram-se os seguintes objectivos: (1) Descrever que dificuldades relacionais vivenciam os enfermeiros na prestação de cuidados à pessoa com TVM. (2) Identificar as competências relacionais que desenvolvem os enfermeiros perante as dificuldades na prestação de cuidados à pessoa com TVM. (3) Descrever que factores contribuem para o desenvolvimento das competências relacionais. (4) Caracterizar a relação que os enfermeiros estabelecem com a pessoa com TVM hospitalizada. Optou-se por um estudo exploratório, descritivo com uma abordagem qualitativa do tipo indutivo. A amostra foi intencional não probabilística, constituída por enfermeiros dum Serviço de Neurocirurgia da Grande Lisboa que se aproximassem do nível de competência de peritos segundo Benner (2005). Para a recolha dos dados escolheu-se a entrevista semi-estruturada e para o tratamento dos mesmos utilizámos a análise de conteúdo. Destacamos algumas conclusões relacionadas com os objectivos traçados. Quanto às dificuldades relacionais (objectivo 1) estas têm a ver, por um lado, com dificuldades na comunicação com o doente em determinadas 12 circunstâncias e, por outro, com o impacto emocional da relação. Destacam-se como áreas mais problemáticas a da gestão da verdade sobre a lesão, o lidar com um doente dito apelativo que necessita de presença constante e lidar com o espaço íntimo do doente. Quanto às competências desenvolvidas (objectivo 2) os enfermeiros elegem algumas premissas para a relação (avaliar, conhecer e respeitar cada doente na sua individualidade; mostrar-se presente e disponível, estabelecer uma relação de confiança) e salientam o interesse de desenvolver competências comunicacionais. No que respeita aos factores de desenvolvimento de competências (objectivo 3) é destacada a importância da posse de uma perspectiva da enfermagem que torne o enfermeiro ciente do seu papel. A experiencia pessoal e profissional é muito valorizada. É dado especial destaque aos saberes em comunicação. A equipa é fundamental no apoio aos colegas menos experientes e ao trabalhar em uníssono a relação. Quanto às características próprias desta relação (objectivo 4) trata-se de um doente que solicita a comunicação e estimula o envolvimento pessoal do enfermeiro. Com o prolongamento do internamento acaba por se estabelecer uma relação de grande proximidade, quase familiar, em que passa a haver gratificação e prazer. Os laços estabelecidos acabam por perdurar para além da alta. Sugerem-se novos estudos em outros serviços de Neurocirurgia, com entrevistas aos doentes e observação da prática de cuidados. Propõem-se que o serviço onde foi realizado o estudo, invista no desenvolvimento de competências no ensino à família; no preparar o doente para a sua auto-defesa, esclarecendo-o sobre os seus direitos; estimular a partilha de sentimentos na equipa para reduzir o impacto emocional. É salientada a necessidade de investimento no treino em técnicas de comunicação para a enfermagem em geral. Institucionalmente os resultados deste trabalho apontam para que a dotação de pessoal, em hospital de agudos, tenha em conta que a abordagem relacional do doente e família é importante e consome tempo. Por outro lado, em vez da grande mobilidade de pessoal actual, deviam ser permitidas carreiras mais longas em cada serviço para que se pudessem formar peritos.
ABSTRACT: The nurse-patient relationship has very unique features, not always easily identifiable. A patient that challenges the nurse’s relational skills is for sure the individual with a spinal cord injury. The aim of this study was to disclose the reality of the relationship between the nurse and the patient with a spinal cord injury, namely its difficulties, the development of renewed skills and knowledge. The following objectives have been drawn: (1) Describe the relational difficulties that nurses experience in providing nursing care to the spinal cord injury patient. (2) Identify the relational skills developed by nurses who face the difficulties of spinal cord injury patient care. (3) Identify which factors contribute to the development of such skills. (4) Characterize the relationship that nurses establish with spinal cord injury patients during the hospitalization. An exploratory, descriptive, qualitative and inductive study as been chosen. An intentional, non-probabilistic sample of nurses from a Neurosurgery Department in the Greater Lisbon area has been used, who were close to competency level of an expert according to Benner (2005). Data has been obtained through a semi-structured interview and subjected to content analysis. The following conclusions have been reached: Concerning the relationship difficulties, they are due not only to the communication problems with the patient, but also to the emotional impact of this interaction. The management of the truth about the injury, dealing with an especially demanding patient and dealing with the intimate space, are particularly difficult areas. 14 Concerning the development of new skills, the nurses in the sample selected some keys to a better relationship (to know, evaluate and respect each patient’s individuality; to show availability and presence; to establish a relationship of trust) and emphasized the importance of certain communication skills. In what concerns the development of skills, the importance of a perspective of nursing that the nurse becomes aware of its role is emphasized. High value is given to professional and personal experiences as well as to good communication skills. Teamwork is essential to help the less experienced members and while working in unison on the relationship. Finally the particularities of this nurse-patient interaction have been pointed. The patient asks for communication and stimulates the nurse’s participation in the relationship. With time great proximity grows, almost familiarity, with gratification and joy. These bonds often last for a long time after the hospital discharge. We suggest more studies in other neurosurgery departments, with patient interviews and observation of nursing care. Our results suggest the need for more investment in the development of skills in the teaching of the family, in the preparation of the patients for their selfdefense and the knowledge of their rights; and in the encouragement of emotional sharing inside the work team to decrease the emotional impact. We emphasize the need for training in nursing communication techniques. These results may have impact on the distribution of nurses in the acute department, considering the time consuming approach to the patient and its family. Finally, the actual great mobility of professionals should in our opinion, be replaced by longer stays in each department to allow the development of experts.
Descrição: Dissertação de Mestrado em Comuniação em Saúde apresentada à Universidade Aberta
URI: http://hdl.handle.net/10400.2/1433
Aparece nas colecções:Mestrado em Comunicação em Saúde / Master's Degree in Health Communication - TMCS

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