Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.2/1357
Título: Traduzir em Macau : ler o outro : para uma história da mediação linguística e cultural
Autor: Paiva, Maria Manuela Gomes
Orientador: Pais, Carlos Castilho
Palavras-chave: História
Idade moderna
Idade contemporânea
Alteridade
Mediação
Mediação intercultural
Tradução
Tradutores
Comunicação intercultural
Língua chinesa
Língua portuguesa
Macau
China
Data de Defesa: 2008
Citação: Paiva, Maria Manuela Gomes - Traduzir em Macau [Em linha] : ler o outro : para uma história da mediação linguística e cultural. Lisboa : [s.n.], 2008. XII, 305 p.
Resumo: Identificar protagonistas – mediadores – finalidades e contextos, descrever sucessos e fracassos, avaliar resultados, no âmbito da tradução / interpretação em Macau, eis alguns dos objectivos que se propõem neste estudo, que tem como balizas temporais os anos de 1557 – 1915. A Tradução e a Interpretação sempre assumiram, em Macau, um papel relevante na sociedade que ali se foi desenvolvendo, desde a chegada dos primeiros ocidentais (os portugueses) às costas do Sul da China. A mediação linguística, social e cultural, protagonizada, ao longo dos séculos, pelos jurubaças, línguas, intérpretes e tradutores, mas também pelos missionários, principalmente jesuítas, foi fundamental para a criação de uma sociedade multilingue e multicultural e para a coexistência pacífica de comunidades tão diferentes. Apesar das pontes estabelecidas pelos mediadores, não foram fáceis as relações, quer comerciais, quer diplomáticas, que levaram à fixação dos primeiros comerciantes, à expansão informal da cidade mercantil e à criação de órgãos de poder próprios, como a Câmara (Senado) e a Misericórdia. Os comerciantes ocidentais que se deslocavam à China recorriam sempre a intérpretes, de início, chineses. Mas os missionários tiveram necessidade, desde cedo, de aprender chinês, porque era impossível propagar o Cristianismo, ou seja, evangelizar, através de um intérprete. Os missionários vão, assim, para além da sua missão evangelizadora, educacional e cultural, assumir um papel importante na mediação linguística e cultural. Partindo do conceito de mediador cultural, defendido por Stephen Bochener’s1 (1981), em The Mediating Person and Cultural Identity, mostra-se como os intérpretes-tradutores actuavam, em Macau, assumindo a mediação linguística, social e cultural, pois que vivendo em dois mundos diferentes, tinham que adquirir competências nesses mesmos mundos. Era-lhes exigido que desenvolvessem determinadas competências nas duas culturas, como por exemplo, o conhecimento da História, dos valores, das tradições, dos costumes, e ainda competências de comunicação, técnicas e sociais. Perante interlocutores tão diferentes, tanto a China como os cristãos revelaram aspectos até aí desconhecidos. Mas só através do diálogo com o outro se pode descobrir as semelhanças e as diferenças, os aspectos fundamentais e os particulares e chegar-se ao entendimento e enriquecimento mútuos e ao que hoje designamos por comunicação intercultural. Portanto, não é a diferença inicial que é importante, mas o compromisso com o intercâmbio linguístico, ideológico e cultural, pois que cada língua dá forma à maneira de pensar e favorece linhas de pensamento, por vezes, incompatíveis. Parafraseando o linguísta C. Hagège (2002), as sociedades não morrem, não só porque têm historiadores ou analistas ou narradores oficiais, mas também porque têm línguas e porque são narradas por elas.
The objectives proposed by this study include identifying the protagonists (mediators), purposes and contexts, describing the successes and failures, and assessing results, in the domain of translation/interpretation in Macao, within the period from 1557 to 1915. In Macao, translation and interpretation always played an important role in the society being developed there, ever since the arrival of the first Westerners (the Portuguese) on the coasts of Southern China. The linguistic, social and cultural mediation, led, throughout the centuries, by jurubaças, línguas, interpreters and translators, but also by missionaries, mostly Jesuit, was fundamental for the creation of a multilingual and multicultural society, and for the peaceful coexistence of such different communities and cultures. Despite the bridges established by these mediators, the relations – be they commercial or diplomatic – which brought about the settlement of the first traders, the informal expansion of the mercantile city and the creation of its own organs of power such as the Town Hall (Senado) and the Misericórdia, did not prove to be easy. At first, the Western traders who went to China always used Chinese interpreters. However, from an early stage, the missionaries needed to learn Chinese, because it was impossible to spread Christianity, that is, to evangelise, through an interpreter. Thus, the missionaries, in addition to their evangelising, educational and cultural mission, come to play an important role in linguistic and cultural mediation. Taking as starting point, the concept of cultural mediator, as argued in Stephen Bochener’s1 The Mediating Person and Cultural Identity (1981), it will be seen how the interpreters-translators, taking on linguistic and cultural mediation, functioned in Macao, given that, living in two different worlds, they had to acquire skills in both those worlds. They were required to develop certain skills in the two cultures, such as knowledge of history, values, traditions and customs and, in addition, technical and social communication skills. Given such differences in their interlocutors, both China and Christians revealed aspects until then unknown. But only through dialogue with the other can the similarities and differences, the fundamental and individual aspects, be discovered, and only thus can mutual understanding and enrichment and what today is called intercultural communication be achieved. It is not, therefore, the initial difference which is important, but the commitment to linguistic, ideological and cultural exchange, since each language shapes the way of thinking and favours lines of thought, at times incompatible. Paraphrasing C. Hagège (2002), we may say that societies do not die, not only because they have historians or analysts or official narrators, but also because they have languages and it is through these that they are narrated.
Descrição: Tese de Doutoramento em Estudos Portugueses na especialidade de Estudos de Tradução apresentada à Universidad Aberta
URI: http://hdl.handle.net/10400.2/1357
Aparece nas colecções:Estudos de Tradução / Translation Studies

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