Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.2/1347
Título: Percepções e comportamentos dos profissionais de saúde face à mulher na adaptação à maternidade em contexto migratório : contributos para a promoção da saúde da mulher migrante
Autor: Santiago, Maria da Conceição Fernandes
Orientador: Ramos, Natália
Palavras-chave: Serviços de saúde
Cuidar
Pessoal da saúde
Sociologia das migrações
Imigração
Mulheres migrantes
Sociologia da saúde
Comunicação intercultural
Gravidez
Maternidade
Data de Defesa: 2009
Resumo: RESUMO: Num mundo em contínua mudança e no enquadramento de uma sociedade portuguesa cada vez mais multicultural, coloca-se aos profissionais de saúde o desafio de prestarem cuidados interculturais congruentes à mulher, durante a sua adaptação à maternidade, em contexto migratório. A percepção e os comportamentos dos profissionais de saúde perante esta situação, tendo em vista a promoção da saúde da mulher migrante constitui a temática do estudo, com os objectivos de compreender a importância que os profissionais de saúde atribuem aos contextos social e cultural da mulher, quando cuidam no âmbito da adaptação à maternidade, conhecer quais as competências e conhecimentos culturais dos mesmos, relativos à maternidade em situação de migração e identificar os principais factores que influenciam os profissionais de saúde, enquanto educadores para a saúde na adaptação da mulher à maternidade, durante as suas intervenções junto da mãe, oriunda de um contexto cultural diferente do seu. Trata-se de um estudo exploratório e descritivo, orientado por uma metodologia qualitativa, tendo sido escolhida a entrevista semi-estruturada como instrumento de colheita de dados e a análise de conteúdo, como técnica de análise das respostas dos profissionais de saúde entrevistados (médicos e enfermeiros), a exercerem funções em contexto de Cuidados de Saúde Primários, na Sub-Região de Saúde de Santarém. A maternidade, entendida como um processo iniciado e reorganizado ao longo da gravidez, que se consolida progressivamente, com os cuidados e interacções que a mãe estabelece com a criança e com o desempenho dos diferentes papéis socialmente prescritos e assumidos pela mulher, torna-se numa experiência particular e complexa para cada mulher, constatando-se a valorização que os profissionais de saúde dão às diferentes dimensões influenciadoras dos processos de gravidez e da maternidade, numa lógica de evolução e transformação da sociedade contemporânea. Num discurso orientado para o exercício da maternidade, deram a conhecer como percepcionam as vivências da maternidade da mulher da nossa sociedade contemporânea, realçando os saberes adquiridos e as tradições culturais, especialmente através das práticas cuidativas realizadas às crianças, transmitidas de geração em geração e realizadas no seio familiar. A maternidade como acontecimento predominantemente social e cultural, implica a valorização destas duas dimensões para que a mulher assegure e se adapte adequadamente ao papel materno. Nesta lógica, os profissionais de saúde, identificam e procuram entender os diversos comportamentos culturais de saúde e maternos, nas mulheres de diferentes culturas e nacionalidades, no sentido de se “aproximarem” e compreenderem as vivências e as necessidades de saúde manifestadas pelas mulheres migrantes, para o desempenho da maternidade, experienciado noutro país. Sobressai, nos seus discursos, a valorização e o reconhecimento que fazem do processo migratório, com a consciencialização das dificuldades socioeconómicas e linguísticas a que as mulheres migrantes estão sujeitas durante a gravidez e os primeiros tempos da maternidade no nosso país, influenciando, entre outros aspectos, a afluência das mesmas às consultas de vigilância pré-natal e de revisão do puerpério. O confronto com as novas exigências multiculturais, na assistência de saúde da mulher em contexto migratório, leva a que com frequência, se opte por uma imposição da cultura do profissional de saúde, pela dificuldade em se chegar à aceitação e integração das práticas e costumes culturais da mulher migrante, nos cuidados interculturais realizados durante a vigilância de saúde pré-natal, pós-parto e maternidade, especialmente quando esses mesmos costumes e práticas se distanciam dos do profissional de saúde. Apesar do reconhecimento de que este comportamento se traduz numa relação cultural e terapêutica inadequada para a satisfação das necessidades de saúde e promoção da saúde da mulher migrante, emergem a insegurança, a ambivalência e as necessidades formativas do profissional de saúde para a comunicação e competência intercultural, quando cuida da mulher migrante durante a adaptação à maternidade, em particular nos seus primeiros tempos de imigração.
ABSTRACT: In a world of continuous change and inside the framework of Portuguese society that becomes increasingly multicultural, the health care professionals are challenged to provide intercultural care to women, during their adaptation to motherhood in the context of migration. The perception and behavior of health professionals in this particular situation, in order to promote the health of migrant women, is the theme of this study. The main objectives are (1) to understand the importance that health professionals attach to social and cultural contexts of women, when caring within the adjustment to motherhood; (2) getting to know what skills and cultural knowledge the women possesses, relating to pregnancy in situations of migration and (3) identifying the main factors influencing the health professionals as health educators in the process of women’s adaptation to maternity, during their contacts with the mother who comes from a cultural context other than their own. This is an exploratory and descriptive study, guided by a qualitative research method. We used semi-structured interviews - as a tool for data collection, and analysis of content - as the technique of analyzing the responses of health professionals interviewed (doctors and nurses), who exercise their functions in the context of primary health care in Sub-Region of Health of Santarém. Motherhood, understood as a process initiated and reorganized during the pregnancy, consolidates gradually, with care and interactions which mother begins with child and the performance of different roles socially associated to each women, becomes a particular and complex experience for each woman, comprehending a value that health professionals give to the different dimensions influencing the processes of pregnancy and motherhood, following the logic of evolution and transformation of contemporary society. In a dialogue geared to the pursuit of motherhood, came forward the perception of the experience of motherhood for women in our contemporary society, enhancing the knowledge acquired and the cultural traditions, especially through the care practice provided for children, passed from generation to generation and created within family. Motherhood as predominantly social and cultural event, imply the importance of these two dimensions to ensure that women follow and adapt appropriately to the maternal role. Following this logic, health professionals identify and seek to understand the different cultural behaviors and maternal health of women coming from different cultures and nationalities, in a way to become “closer” and to understand the experiences and needs of health expressed by migrant women for the performance of maternity experienced in other countries. Subsequently in their speeches, they stress the importance of appreciation and recognition of the migration process, with the awareness of the socioeconomic and linguistic difficulties that migrant women face during pregnancy and early motherhood in our country, affecting, among other things, the influx of these women at monitoring prenatal consultations, and review of the puerperium. The confrontation with the new multicultural requirements in health care of women in the migration context often leads to impose the culture of health professional, the difficulty in achieving acceptance and integration of cultural practices and customs of migrant women in intercultural care during the health monitoring of pre-natal, postpartum and maternity, especially when those customs and practices are distant to the health care professional. Despite the recognition that this particular behavior explains a cultural and therapeutic relation inadequate to meet the needs of health, and health promotion for migrant women, emerges uncertainty, the ambivalence and the training needs of the health professional in communication and intercultural competence while caring for migrant women's adaptation to motherhood, particularly in her early days of immigration.
Descrição: Dissertação de Mestrado em Comunicação em Saúde apresentada à Universidade Aberta
URI: http://hdl.handle.net/10400.2/1347
Aparece nas colecções:Mestrado em Comunicação em Saúde / Master's Degree in Health Communication - TMCS

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