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O impacto da cultura e dos valores humanistas no empoderamento das empreendedoras portuguesas: um estudo comparativo entre Portugal e o Brasil
Publication . Fernandes, Sandra Maria Ferreira Martins; Jardim, Jacinto
A cultura em que os empreendedores se socializam é moldada pelos valores que orientam os
seus comportamentos. Assim, o contexto sociocultural molda as orientações, decisões e
práticas das empreendedoras. Contudo, persistem desigualdades de género e dinâmicas
culturais que podem, simultaneamente, favorecer e constranger o empoderamento no
empreendedorismo feminino. Este estudo tem como objetivo analisar de que forma a cultura
e os valores humanistas impactam o empoderamento de empreendedoras e intraempreendedoras portuguesas e brasileiras, a partir de uma abordagem qualitativa e
comparativa. O enquadramento teórico interdisciplinar integra contributos dos estudos sobre
empreendedorismo feminino, cultura, valores humanistas, género, masculinidades
restritivas, empoderamento, gestão e liderança. Em termos metodológicos, optou-se pela
abordagem qualitativa, recorrendo à técnica de amostragem em bola de neve. A recolha de
dados foi realizada através de entrevistas semiestruturadas a mulheres empreendedoras
(n=12) e intraempreendedoras de relevo portuguesas (n=6) e brasileiras (n=6), realizadas
entre novembro e dezembro de 2025. O tratamento e a análise dos dados foram efetuados
com base na análise de conteúdo, de modo a compreender como se articulam a socialização
cultural, os percursos educativos, as dinâmicas organizacionais e as barreiras de género nos
processos de empoderamento. Os resultados evidenciam que o empreendedorismo feminino
é um fenómeno relacional e contextualizado, estruturado por subcategorias interdependentes: socialização cultural, educação, dinâmicas organizacionais e desigualdades de género. A cultura emerge simultaneamente como recurso e constrangimento, moldando oportunidades, estilos de liderança e estratégias de superação.
Observa-se um matiz comparativo: em Portugal, os valores humanistas tendem a manifestarse de forma mais implícita nas práticas; no Brasil, surgem mais verbalizados no discurso, associados à superação individual, à transformação social e à mobilização de redes. A educação (formal, não formal e experiencial) assume-se como pilar central do
empoderamento, potencia a autonomia, a agência e a legitimação profissional. Conclui-se
que empoderar-se não é apenas crescer economicamente, mas também (re)construir agência e legitimidade num processo ético, identitário e culturalmente situado.
O impacto do ensino profissional no desenvolvimento do potencial empreendedor nos jovens: o caso da Região Autónoma da Madeira
Publication . Rodrigues, Lúcia Maria Torres Sousa; Jardim, Jacinto
O desenvolvimento de competências empreendedoras nos jovens constitui um fator relevante para a promoção da autonomia, da iniciativa e da capacidade de adaptação aos desafios sociais e profissionais contemporâneos. Neste enquadramento, o ensino profissional, pela sua natureza prática e pela proximidade ao mundo do trabalho, assume importância na promoção destas competências. A presente dissertação tem como objetivo analisar o impacto desta via de ensino no desenvolvimento do potencial empreendedor dos jovens na Região Autónoma da Madeira, procurando compreender de que forma esta via de ensino contribui para a aquisição de competências e intenções empreendedoras. O estudo incide sobre estudantes entre os 15 e os 18 anos que frequentam o ensino profissional na Região Autónoma da Madeira. Foi adotada uma abordagem metodológica mista, baseada na aplicação de questionários a 102 alunos e 51 encarregados de educação, bem como na realização de entrevistas a docentes e à direção pedagógica. Os resultados evidenciam que esta modalidade contribui positivamente para a construção de competências empreendedoras, nomeadamente ao nível da autonomia, da iniciativa e da capacidade de resolução de problemas. Contudo, fatores como o contexto familiar, as perceções sociais e as dinâmicas socioculturais influenciam significativamente os percursos educativos e as intenções empreendedoras dos jovens. Conclui-se que o ensino profissional constitui um contexto educativo relevante para a promoção do potencial empreendedor, embora persistam desafios associados à sua valorização social e à necessidade de reforço de práticas pedagógicas orientadas para o empreendedorismo.
A transformação digital e alteração dos modelos de negócios nas empresas de contabilidade em Cabo Verde: o impacto da Inteligência Artificial (IA)
Publication . Évora, Ana Mafalda Vieira de Carvalho; Porfírio, José
A presente investigação procurou estudar, como as diferentes propostas tecnológicas digitais estão a ser incorporadas nas tarefas repetitivas e rotineiras em direção à transformação digital das micro, pequenas e médias empresas de contabilidade e consultoria em Cabo Verde, dando ênfase à inteligência artificial (IA).
Compreender se a IA, tem vindo a contribuir ou poderá vir a contribuir para a transformação da contabilidade tradicional, promovendo o possível desenvolvimento de “novos” modelos de negócio, no contexto Cabo-verdiano caraterizado pela insularidade, mais concretamente nas ilhas de Santiago, S. Vicente e Sal, perante as tendências globais aceleradas e crescentes das tecnologias digitais.
Esta investigação foi construída a partir da análise e síntese de informações recolhidas de diferentes fontes bibliográficas e documentais, plataformas digitais e fontes especializadas.
A recolha de dados foi efetuada por meio de inquérito por questionário online, no Google Forms.
Através da combinação do método misto, realizou-se o estudo exploratório, com combinação das abordagens qualitativa e quantitativa descritiva, aplicado aos líderes e colaboradores das respetivas empresas.
A pesquisa incidiu sob a população/universo de 34 empresas, através da amostragem por conveniência, o tamanho da amostra foi de 21 inquiridos, o que corresponde a aproximadamente 62% da população.
Os resultados revelaram o nível elevado de graduação dos profissionais inquiridos, em diferentes faixas etárias e com largos anos de experiências; assim como a permanência das empresas no mercado com alguma durabilidade.
No que se refere às tecnologias utilizadas, o caso concreto dos softwares de gestão, o Primavera foi eleito; só que na maioria dos casos não funcionam como ERP integrado, permitindo a automatização dos processos nem integram IA possibilitando a otimização desses processos.
O nível de TD dessas empresas avaliado pela utilização dos softwares, classificaram-se como sendo de nível baixo-médio, com tendência crescente e gradual; uma vez que, houve manifestações maioritariamente desfavoráveis sobre a realização automática das principais tarefas repetitivas e rotineiras como por exemplo ( realização de reconciliações bancárias, fecho de contas, emissão de demonstrações financeiras, conceção de relatórios, guarda de documentos de arquivos, relação com os clientes, gestão e controlo previsional) e manifestações desfavoráveis sobre o aproveitamento das potencialidades da IA integradas aos sistemas.
Relativamente a outras tecnologias utilizadas, verificou-se o recurso a ferramentas básicas do Office, para atender a variadas demandas, trabalhos com diferentes modelos de IA de forma Isolada, utilização das plataformas digitais não integrada automaticamente à contabilidade.
Conclui-se que, nesse contexto setorial, as empresas estão a dar passos lentos a nível do processo de TD, considerando o contexto global avassalador que se presencia em diversos setores da economia, muito distante da criação de valor na linha da digitalização e alteração do modelo de negócio.
Isso se deve, aos fatores como a pequena dimensão de mercado, défice de planeamento estratégico, défice de alinhamento entre as empresas e os diferentes atores do ecossistema empreendedor; assim como o retorno incerto e demorado dos investimentos.
Elevados custos com os investimentos para aquisição de tecnologias mais ágeis, sua manutenção e assistência técnica, insuficiência financeira para proporcionar melhoria da capacitação dos profissionais.
Metacognitive beliefs and worries in relation to subjective success: evidence from Brazil and Portugal
Publication . Borja, Renata; Nordahl, Hans M.; Ramos, Natália; Cacau, Ana Paula Pacheco; Alcântara, Guilherme Moreira e
This study investigated the relationship between metacognitive beliefs, worry, and subjective perceptions of success in a sample of 291 adults, predominantly from Brazil and Portugal. Objective: Based on Wells’ metacognitive model, we hypothesized that negative metacognitive beliefs would be associated with lower perceived success, whereas positive beliefs would show no significant association. Results:Results supported these predictions. Negative metacognitive beliefs were significantly associated with lower levels of perceived success, with individuals in the “Not successful” and “Partially successful” groups reporting higher levels of dysfunctional worry. In contrast, positive metacognitive beliefs did not vary across success groups. Conclusion: These findings highlight the central role of negative metacognitions in shaping subjective success and suggest that interventions targeting maladaptive worry processes may enhance well-being. The study extends metacognitive theory to non-clinical, transgenerational populations and contributes to understanding psychological factors underlying perceived achievement.
O feedback no desenvolvimento da autorregulação e metacognição num cenário de blended learning: estudo de caso no Ensino Superior de Ortoprotesia
Publication . Fraústo, Ana Sofia Pinheiro; Teixeira, António; Paz, João
As transformações de paradigma na educação são, na sua maioria, o resultado do desenvolvimento e da inovação tecnológica, sendo que as tecnologias digitais conferem ao processo de ensinar e aprender uma dinâmica e um propósito bastante distintos, privilegiando abordagens pedagógicas que colocam os estudantes no centro da
aprendizagem, num processo que se pretende autónomo e autorregulado. No que concerne ao ensino superior, essas transformações comportam alterações das políticas educativas e das práticas pedagógicas que podem envolver a integração de ambientes digitais de aprendizagem no processo educativo, bem como a adoção de modelos pedagógicos mais flexíveis como é o caso do blended learning. Neste contexto, centrando-se na oferta formativa em saúde, o presente estudo aborda a problemática da influência do feedback, desenvolvido num ambiente digital de aprendizagem, para o estímulo da metacognição e da autorregulação dos estudantes num cenário de blended learning. O seu principal objetivo é explorar as perceções subjetivas dos estudantes em relação à problemática em estudo, no contexto das aulas práticas do curso de ortoprotesia. Optou-se, assim, por seguir as linhas orientadoras do paradigma interpretativo, com uma abordagem qualitativa, num estudo de caso instrumental. A recolha de dados foi efetuada através de
entrevistas semiestruturadas, grupos focais e diários de reflexão dos estudantes, analisados através da análise temática. Os resultados evidenciam que o feedback disponibilizado no ambiente digital de aprendizagem é percecionado pelos estudantes como um recurso de preparação conceptual para as aulas práticas, contribuindo para a organização do estudo e para a antecipação das exigências das atividades propostas. No entanto, a regulação da ação prática permanece mediada e dependente do feedback presencial do docente. Conclui-se que o feedback digital pode apoiar processos de autorregulação associados à preparação conceptual das atividades práticas e à organização do estudo. No entanto, o desenvolvimento de processos autorregulatórios mais consolidados e de competências metacognitivas nas aulas práticas revela-se condicionado pelas práticas pedagógicas adotadas e pela articulação entre os ambientes de aprendizagem digital e presencial.
